É #FAKE que invasão de sistemas do TSE prova fraude em urnas e manipulação de votos

Marcelo Parreira, TV Globo
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Mensagens nas redes sociais afirmam que um ataque cibernético aos sistemas do TSE provou fraudes nas urnas eleitorais e evidenciou a possibilidade de manipulação dos votos. É #FAKE. Ministério da Justiça e o Tribunal Superior Eleitoral, que investigam o caso, afirmam que os dados divulgados como prova do ataque são antigos e não houve impacto na eleição de hoje.

A publicação que viralizou se baseou na divulgação de dados do TSE após um suposto ataque cibernético. "A invasão hacker do TSE revela a fraude nas urnas com a chancela da justiça eleitoral (...) os votos válidos e os de quem justifica estão em bancos de dados diferentes. Eles podem descarregar os votos de quem vai justificar na esquerda", diz o texto.

"Essa alegação não tem qualquer cabimento fático ou razoabilidade por inúmeras razões", disse a assessoria do TSE em nota. "A principal delas é o fato de que o eleitor que justifica a ausência nas eleições, obviamente, não vota. Assim, não há votos a serem 'descarregados' a quem quer que seja. A urna eletrônica só computa os votos que foram efetivamente recebidos, digitados por quem compareceu à seção eleitoral e teve o seu acesso liberado após a identificação pelos mesários", explica o tribunal.

Ainda segundo o órgão, "não há separação de banco de dados em relação aos votos, abstenções e justificativas. Todas essas informações são tratadas em um mesmo sistema de totalização, devidamente auditado e com assinaturas digitais lacradas em audiência pública com a participação de partidos políticos, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil".

Lentidão na apuração

O ministro da Justiça, André Mendonça, informou em entrevista que os dados divulgados nas redes são antigos, de 2001, e que o acesso a eles não ocorreu hoje, mas antes de 23 de outubro. Segundo ele, a Polícia Federal está investigando o caso e buscando o autor da invasão. Mendonça destacou, no entanto, que não há qualquer indício de que o ataque tenha afetado as eleições de hoje. “A Polícia Federal tem trabalhado em perfeita sintonia com toda área de segurança e tecnologia de informação do TSE, então há uma troca de informações que auxiliam praticamente on-line esse avanço das investigações e não há qualquer indicativo de prejuízo ao pleito eleitoral”, afirmou o ministro.

A lentidão na divulgação dos resultados após a conclusão da votação também foi citada em mensagens sobre supostas fraudes, mas o TSE esclareceu no início da noite que o problema técnico não tem relação com ataques de qualquer natureza. "Os dados estão sendo remetidos normalmente pelos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e recepcionados normalmente pelo banco de totalização, que está somando o conteúdo de forma mais lenta que o previsto. Ressaltamos que não há nenhuma relação com o vazamento de dados pessoais de servidores e nenhuma relação com a tentativa de ataque cibernético registrada pela manhã", afirmou o TSE em nota.