É #FAKE que juiz Marcelo Bretas fez post defendendo uso de remédio experimental e falando em hospitais de campanha superfaturados

Roberta Pennafort (CBN)

RIO - Circula na redes sociais um print com um tuíte atribuído ao juiz da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, Marcelo Bretas, responsável pelos processos da Lava Jato no estado, com uma defesa do uso da hidroxicloroquina para tratamento de Covid-19. A mensagem diz ainda que a droga não é liberada porque autoridades querem lucrar com a compra de respiradores e a montagem de hospitais de campanha. É #FAKE.

A mensagem foi desmentida pelo próprio juiz, um mês atrás, em seu perfil no Twitter: “A publicação não é autêntica. A ‘conta’ em questão não me pertence, apesar de ostentar minha fotografia”.

O medicamento vem gerando muita controvérsia. Há estudos que afirmam que a hidroxicloroquina e a cloroquina não trazem benefícios para a saúde do paciente, e têm muitos efeitos colaterais indesejáveis; ainda assim, sua utilização é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro “desde os primeiros sintomas”.

A mensagem falsa com o tuíte não postado por Bretas tem voltado a circular depois da saída de Nelson Teich do Ministério da Saúde. Um dos motivos para o pedido de demissão, após um mês apenas no cargo, foi a insistência do presidente Jair Bolsonaro em criar um protoloco para uso da cloroquina. Teich se mostrou reticente quanto a isso.

O então ministro deu entrevista na última sexta-feira (15) à tarde anunciando a saída. À noite, o ministério divulgou que um protocolo atualizado para o uso do medicamento já estava sendo preparado. O uso do medicamento será indicado também em casos leves, como defende o presidente Bolsonaro, e não só em pacientes internados, como vem sendo feito em alguns hospitais pelo país.

A decisão do ministério foi mantida a despeito dos estudos que apontaram que a droga não teve a eficácia comprovada contra o coronavírus e que seu uso pode estar, inclusive, associado ao aumento do número de óbitos de pacientes.

O falso tuíte atribuído a Bretas diz: “O ‘problema’ com a hidroxicloroquina é que ela torna desnecessários os milhões gastos com compras de respiradores e construção de hospitais de campanha superfaturados. O resto é conversa fiada de psicopatas corruptos em busca de poder e que não estão preocupados em salvar vidas”.

Procurado pela CBN, o juiz – que contraiu o coronavírus e chegou a ficar internado – reforça que não fez tal declaração. A conta que aparece como a responsável pela postagem no print, aliás, não é a oficial de Bretas (apesar do nome e da foto).

Nas redes sociais, vêm sendo espalhadas teorias conspiratórias que dizem que a liberação de um novo protocolo vem sendo impedida porque autoridades públicas têm interesse tanto em manter a população em estado de pânico com a pandemia quanto em superfaturar obras e equipamentos hospitalares.

De fato, há denúncias de irregularidades, como no caso do Rio de Janeiro. O secretário de Saúde, Edmar Santos, foi, inclusive, exonerado em meio a um escândalo envolvendo fraudes na licitação para compras de respiradores. Mas não há evidências de que as autoridades de saúde estejam retardando medidas que possam salvar a população da Covid-19 – especialmente no que diz relação ao remédio em si. Até porque os estudos mostram que a cloroquina não tem eficácia no tratamento do coronavírus.