É #FAKE que máscaras têm baixa filtragem de vírus e fazem 'mais mal do que bem'

Roberta Pennafort, CBN
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Circula nas redes sociais o vídeo de um homem que se diz médico e afirma que as máscaras usadas para conter a propagação da Covid-19 têm nível de filtragem do coronavírus “irrisória”, e que seu uso faz “mais mal do que bem”. É #FAKE.

A utilização da máscara, feita de material adequado e cobrindo nariz e boca, é recomendada pela Organização Mundial de Saúde e pelo Ministério da Saúde como forma eficaz de se reduzir a transmissão do Sars-CoV-2. Médicos entrevistados pela CBN reiteram a orientação quanto ao uso do item de proteção.

Além disso, a utilização passou a ser obrigatória em julho, por lei federal, em espaços públicos, como ruas e praças, nos transportes e em locais privados com acesso público, como no caso do comércio. A medida vale enquanto durar a pandemia do coronavírus no país.

No vídeo viral, o homem afirma: “O uso de máscara é altamente controverso. Pode fazer sentido se você estiver doente. Mas pessoas saudáveis usarem máscara em ambientes abertos é um absurdo. O uso da máscara continuamente causa diversos problemas: baixa oxigenação no sangue, faz re-circular o gás carbônico, causa arritmias cardíacas, refluxo... A taxa de sucesso da filtragem do vírus é irrisória. Esse tipo de atitude está fazendo muito mais mal do que bem. É sem sentido”.

Não há malefícios no uso rotineiro da máscara, só benefícios; da mesma forma, não há por que falar em prejuízo às trocas gasosas que se dão na respiração, aponta o pneumologista Rodolfo Fred Behrsin, professor do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle. A “taxa de filtragem”, claro, não é 100%, mas a medida é considerada importante para frear a pandemia.

“Os gases que respiramos são partículas pequenas, da dimensão de moléculas, e a máscara é perfeitamente permeável. Ela não é vedada, não bloqueia a passagem dos gases”, explica o médico. “Não existe a menor possibilidade de retenção de gás carbônico na circulação e de redução dos níveis de oxigênio. O que pode ocorrer é a sensação de abafamento, mas isso não impede a respiração. Isso ocorre principalmente nas pessoas que estão mais ansiosas”, diz o médico.

A equipe do Fato ou Fake já desmentiu uma série de informações falsas sobre as máscaras, inclusive que elas podem levar a quadros de intoxicação, hiperventilação e acidez no sangue.

Sobre o hábito de se usar nas ruas, é verdade que em ambientes abertos o risco de contaminação do vírus é menor. Mas a possibilidade de se encontrar pessoas, e de alguém infectado falar, tossir e espirrar perto de outros indivíduos leva à necessidade de se cobrir nariz e da boca ainda assim.

Cabe ressaltar que as máscaras a serem usadas pelo cidadão comum podem ser de algodão, tricoline, TNT e outros materiais que não sejam porosos. É recomendável que a máscara tenha duas camadas de proteção.

“Por ser um ambiente ventilado, se reduz o risco, mas na rua podemos encontrar outras pessoas. Então é preciso reduzir o risco. Então o uso da máscara faz sentido, sim, tanto por pessoas doentes quanto pelas saudáveis. Nas doentes, ela impede a emissão de partículas de saliva que flutuam no ar e contêm o vírus. E, numa pessoa sã, é mais uma barreira para que não se venha a inalar as partículas. Não é 100% eficaz, mas reduz bastante o nível de contaminação. Tanto que no Brasil vimos a queda no nível de transmissão depois que as pessoas passaram a usar”, esclarece Behrsin.

Mauro Schetcher, professor de infectologia da UFRJ, corrobora as explicações e lamenta o desserviço praticado por profissionais de saúde que vêm espalhando uma série de informações falsas nas redes sociais – desde o início da pandemia, dados incorretos sobre máscaras, tratamentos para a Covid-19, métodos profiláticos e vacinas vêm sendo compartilhadas, confundindo a população.

“É lamentável que um médico fale um absurdo desses e que o Conselho Regional de Medicina não tome medidas legais. É colocar a saúde da população em risco”, critica. “Se o que ele fala fosse verdade, cirurgiões envolvidos em cirurgias de longa duração, como transplantes cardíacos ou hepáticos, morreriam em grande quantidade em centros cirúrgicos, por arritmias cardíacas. É evidente que isso não acontece.”