É #FAKE que parciais divulgadas durante a apuração da eleição em SP mostrem fraude na votação na cidade

Marcelo Parreira, TV Globo
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Uma mensagem que circula nas redes sociais afirma que a relativa estabilidade nas divulgações parciais da apuração dos votos em São Paulo revela uma fraude nas eleições municipais deste ano. É #FAKE.

A mensagem exibe percentuais dos quatro primeiro candidatos em três diferentes parciais. Com 0,39% das urnas apuradas, com 37,77% delas totalizadas e com 57,77%. Como os números são muito próximos, o texto decreta: "Fraude descarada". Não é verdade.

De fato, nos intervalos em que houve atualizações maiores dos números os dados se assemelhavam, mas esta estabilidade é comum, se manteve praticamente ao longo de toda a apuração e já aconteceu em anos anteriores, inclusive em eleições maiores.

Por conta da lentidão na divulgação dos dados durante o domingo, os números foram apresentados em grandes atualizações, com "saltos" entre os percentuais de votos já contados. Assim, relatam as mensagens, com apenas 0,39% das urnas apuradas, Bruno Covas (PSDB) tinha 32,58% dos votos, Guilherme Boulos (PSOL) tinha 20,33%, Márcio França (PSB) tinha 13,95% e Celso Russomanno (PRB) tinha 10,44%. Mais à frente, com 37,77% das urnas, Covas estava com 32,79%, Boulos com 20,32%, França tinha 13,65% dos votos e Russomanno, 10,52%. Os primeiros dígitos também se mantiveram na divulgação seguinte, quando 57,77% dos votos foram contados.

As mensagens falsas atribuíam os percentuais relativamente estáveis de votos a um "algoritmo" ou relacionavam os dados a uma linguagem de programação específica, mas esta estabilidade é um fenômeno comum, mesmo em nível nacional. Em 2018, por exemplo, isso ocorreu nos dois turnos da eleição presidencial. O então candidato Jair Bolsonaro (PSL) chegou ao fim do primeiro turno com 46,03% dos votos válidos, uma diferença de menos de um ponto percentual em relação ao que ele tinha já às 20h17. Fernando Haddad (PT), que foi para o segundo turno contra Bolsonaro, terminou o primeiro turno com 29,28% dos votos válidos - novamente, uma variação de menos de um ponto percentual em relação ao que ele já tinha às 20h39.

Já no segundo turno, Haddad passou os primeiros 9 minutos da apuração à frente nas urnas, depois houve um rápida inversão com Bolsonaro chegando a 62,39% dos votos às 17h19. O candidato do PSL foi gradativamente caindo até chegar, às 18h45, a 56%. Depois disso, os números ficaram praticamente estáveis: mesmo com mais de 7 milhões de votos contados até o fim da apuração, Bolsonaro oscilou apenas 0,87 pontos percentuais, terminando a disputa com 55,13% dos votos válidos. Os gráficos de ambos os turnos permitem ver como a situação de estabilidade se prolongou na apuração a partir de um determinado momento.

Estabilidade duradoura

Neste ano, a variação também foi pequena ao longo de todo o processo, não só nos momentos em que houve divulgação. Bruno Covas tinha 32,1% dos votos às 17h30 e manteve números muito parecidos pelos horas seguintes - 32,9% às 18h30, 32,9% às 19h30, 32,7% às 20h30 e 32,8% às 21h30, tendo terminado a disputa com 32,85% dos votos. O mesmo ocorreu com os demais candidatos.

O que também ajuda a entender esses números é a votação por zona eleitoral da cidade. Houve uma homogeneidade muito grande, com indicadores muito próximos, mesmo em locais periféricos.

"O TSE esclarece que, após análise dos dados da votação, é possível constatar estabilidade no resultado desde o fechamento das urnas até a conclusão da totalização", afirma o tribunal em nota. Os dados brutos com a marcha da apuração foram tornados públicos. "O TSE ressalta que, ao final da votação, cada urna eletrônica emitiu um Boletim de Urna (BU) em cinco vias, que contém a quantidade de votos registrados para cada candidato ou partido político. Qualquer pessoa pode solicitar acesso ao documento para conferência dos dados", informa o órgão.