É #FAKE que tendas de triagem da Unicamp para Covid-19 foram desmontadas por falta de pacientes

Roberta Pennafort, CBN

Um vídeo que tem bombado nas redes sociais mostra tendas de triagem da Unicamp sendo desmontadas. Um homem que grava as imagens afirma que isso se deu em razão da falta de pacientes. É #FAKE.

 

O vídeo foi feito em frente ao espaço montado junto ao Hospital das Clínicas da universidade, em Campinas, que funcionou do dia 1º de abril ao dia 3 de maio. A desmontagem se deu no dia 4. O homem que filma com celular diz, com tom de ironia: “Estou aqui onde foi montada a tenda para receber o pessoal da Covid-19. E realmente está um caos, muito paciente, muita gente contaminada”, afirma, debochando, ao mostrar o processo de desmontagem. “É assim que está. É aqui que o pessoal falou que está um caos, morrendo gente adoidado.”

Ele conta que esteve em outra unidade de saúde e que médicos contaram que a crise do coronavírus não existe. “Tudo não passa de guerra política”, ele diz. “Se está um caos, por que desmontaram?”

Não é verdade que as tendas, que ficavam no estacionamento perto da entrada principal do HC, foram desmontadas porque não havia demanda de pacientes. A estrutura foi desmobilizada, na verdade, por conta da criação de um hospital de campanha municipal exclusivo para casos de Covid-19 em Campinas. A montagem ficou a cargo da mesma ONG responsável pelas tendas: a Expedicionários da Saúde (EDS).

O HC esclarece que, em 40 dias do funcionamento do serviço de triagem – criado numa área de 900 metros quadrados, com dez consultórios –, foram atendidos 546 pacientes, sendo que 40 foram identificados como suspeitos de ter a Covid-19 e encaminhados para avaliações mais criteriosas na Unidade de Urgência e Emergência do HC.

“É, portanto, absolutamente falsa a suposição de que não houve demanda por atendimento”, informa o HC, que mantém ainda três tendas do Exército para o atendimento adulto e pediátrico e triagem na entrada da UER.

A EDS desmobilizou as tendas “de forma acordada” com o HC, segundo nota enviada pelo Hospital das Clínicas da universidade à CBN. “Desde o início, a ONG comunicou que poderia migrar para apoio a outros lugares, conforme o andamento da pandemia”, afirma, na nota.

O hospital de campanha criado tem 36 leitos. A capacidade, porém, deverá ser ampliada. A gestão será feita pela Rede Mário Gatti de Urgência, Emergência e Hospitalar, pública. O atendimento será voltado para a população local, mas sem portas abertas para o público em geral; ou seja, os pacientes serão encaminhados pelas unidades de saúde da cidade para o hospital.

A equipe do Fato ou fake desmentiu, em abril, uma outra mensagem falsa referente às tendas de triagem da Unicamp. Um vídeo afirmava que ali funcionava um “hospital de campanha da Unicamp” para pacientes com Covid-19, e que não havia demanda suficiente – uma informação não verdadeira.

Campinas registra 26 mortes em razão da Covid-19. Há mais de 600 casos confirmados na cidade, segundo o último boletim do governo de São Paulo.