'É igual a um casamento': Bolsonaro diz que só veio para encontro com Biden porque 'foi acertada uma agenda'

Pouco antes do encontro bilateral nesta quinta-feira com seu homólogo americano, Joe Biden, o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, afirmou que só aceitou ir à reunião, que acontece às margens da Cúpula das Américas, porque os dois lados acertaram uma agenda, comparando o compromisso a um casamento.

— Não aconteceria. Eu não estava previsto para vir aqui. Ele mandou um enviado especial para lá [Brasil] e acertamos a agenda — disse o presidente, que reclamara anteriormente que, em outubro do ano passado no encontro do G20, Biden "passou como se eu não existisse". — É igual a um casamento, você vai aceitar os meus defeitos, eu vou aceitar os seus e vamos ser felizes.

A caminho do encontro com Biden, Bolsonaro foi questionado por jornalistas sobre os temas que seriam tratados no encontro, mas não deu detalhes, citando apenas como assuntos importantes "Rússia, fertilizantes" e o Brasil como "cada vez mais um ator importante para a humanidade".

— Vai ter uma conversa reservada também e cada um suscitará seus interesses nessas partes. Nós precisamos aprofundar nosso relacionamento. Eu sempre tive uma enorme consideração com o povo americano, temos valores em comum, como democracia, liberdade, e eu tenho certeza de que será um bom encontro com o presidente americano Biden — disse Bolsonaro. Tem muita coisa pra falar, vocês já sabem que o mundo sem o Brasil passa fome. É um grande parceiro comercial nosso.

O chefe de Estado Brasileiro não confirmou se os líderes falariam sobre a eleição brasileira. Questionado por uma repórter sobre o que ele diria caso Biden dissesse que confia no pleito brasileiro, disse que não ia responder e devolveu a pergunta à repórter.

Além de ter sido um dos últimos líderes mundiais a reconhecer a vitória de Biden sobre Donald Trump — de quem Bolsonaro é um grande admirador —, o presidente brasileiro na terça voltou a duvidar da vitória do chefe de Estado americano.

Como Trump, Bolsonaro alega — sem provas — que pode haver um fraude orquestrada pelo sistema de urna eletrônica para favorecer o ex-presidente Lula, que atualmente é o favorito para vencer as eleições presidenciais de outubro, segundo pesquisas. Apesar de se negar a responder se o pleito será tratado no encontro com Biden, um conselheiro do presidente americano disse na quarta que ele "discutirá eleições abertas, livres, justas, transparentes e democráticas" com Bolsonaro.

(Esta reportagem está sendo atualizada)

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