'É isso o que o governador tem pra gente?', questiona filha de pastora morta no Alemão

RIO DE JANEIRO, RJ, 21.07.2022: Moradores retiram corpo de homem baleado pela polícia durante operação policial no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)
RIO DE JANEIRO, RJ, 21.07.2022: Moradores retiram corpo de homem baleado pela polícia durante operação policial no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. (Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress)

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Familiares das vítimas da operação policial desta quinta-feira (21) que terminou com 19 mortos no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro, foram ao IML (Instituto Médico-Legal) na manhã desta sexta-feira (22) reconhecer os corpos de parentes.

O clima era de tristeza e revolta. Representantes da Defensoria Pública e da Comissão de Direitos Humanos da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) estavam no local dando suporte às famílias.

Jéssica Sales, 30, filha de Letícia Marinho Sales, 50, atingida por um tiro enquanto passava de carro com a família pela avenida Itaoca, definiu a ação da polícia como covarde e despreparada. A via é um dos principais acessos ao complexo de favelas do Alemão.

"Neste momento é só dor, revolta e injustiça pelo que fizeram com a minha mãe. Ela foi covardemente alvejada sem transmitir nenhum tipo de perigo para os policiais", disse a filha da vítima. A família ainda se recuperava da morte da avó, há 12 dias.

Sales contou que a mãe estava dentro de um carro indo para casa após passar uma noite na residência de amigas na Vila Cruzeiro, na Penha.

Letícia Sales era pastora e mantinha uma pensão em que produzia e vendia quentinhas. Ela nasceu na Vila Cruzeiro, onde passou grande parte da vida. Atualmente, morava com Jéssica e a outra filha, Jenifer Sales, 32, no bairro do Recreio, na zona oeste. A vítima deixa duas netas.

"Minha mãe era uma pessoa que só se prestava a ajudar. Eles acham que todo mundo que mora na comunidade é marginal. A gente não mora ali porque a gente gosta, a gente mora ali porque não dá pra pagar IPTU, IPVA, aluguel e as outras contas. É isso que o governador tem pra gente? Eu quero saber os responsáveis. Eu cobro do governador Cláudio Castro, o que ele vai fazer?", questionou a filha.

O enterro de Letícia Sales está programado para este sábado (23), às 11h30, no Cemitério São Francisco Xavier (Caju).

Procurado, o governo estadual não se manifestou sobre as críticas à gestão Castro feitas pela filha da vítima.

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