'É muito sofrimento', diz viúva que acusa PMs de matarem mototaxista na Cidade de Deus

·2 minuto de leitura

Ao chegar ao Instituto Médico Legal, na Leopoldina, região central do Rio, na manhã desta quarta-feira, Miriam dos Santos, de 49 anos, fez um desabafo sobre a morte de seu marido. O mototaxista Edvaldo Viana, de 42 anos, foi baleado na noite desta terça-feira, durante uma abordagem na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio. A pessoa que estava na garupa também morreu.

— Eu cheguei lá e ela estava morto. É muito sofrimento. Esses homens vão para a rua para matar inocente. Eles só matam inocente. No mesmo local onde há seis meses mataram outro inocente — disse Miriam.

Ela, que acusa os policiais militares de não terem dado qualquer ajuda, mostrou uma das cápsulas da bala que afirma ter matado Edvaldo:

— Eram duas (cápsulas). Mas no desespero não sei onde a outra foi parar.

Miriam disse que o marido morava na Gardênia Azul, região próxima à Cidade de Deus, e garantiu que a moto dele era legal.

— A moto do meu marido não é moto roubada. É moto comprada com suor — afirmou.

A mulher contou ainda que, ao chegar ao local, foi comunidada com frieza por um PM sobre a morte de Edvaldo:

— Eu cheguei e ele ainda estava lá. Falou: "meus sentimentos". Eu falei: "meu marido está morto?". Ela não rodeou nem nada.

Enteado de Edvaldo, Paulo Henrique dos Santos Duarte disse que os PMs se referiram ao mototaxista e à outra pessoa morta como "ganso" — termo que muitos policiais usam para se referir a suspeitos.

— Chegamos lá, tinha algumas viaturas, perguntamos e falaram: os dois "gansos" já morreram e já levaram. Falei: não é "ganso", não — contou ele.

Paulo disse que após alguma dificuldade conseguiu atravessar a rua. E logo viu o sangue no chão. O rapaz relatou que algumas pessoas afirmaram que seu padastro havia sido morto por PMs depois de fazer uma bandalha no trânsito:

— Um pessoal que estava no lava-jato falou: colega, seu padrasto parou a moto e eles, de dentro do carro dispararam, seu padrasto caiu e eles desceram do carro e atiraram no outro. Todo mundo saiu falando a mesma coisa: que ele simplesmente foi fazer a bandalha onde todo mundo faz e sempre acontece isso. Seis meses atrás foi com outro rapaz. Foi mais um que entrou para a estatística. E agora aconteceu com meu padrasto.

A mulher de Paulo, que está grávida de cinco meses, foi ao local do crime e passou mal. Ele contou ter sido impedido por policiais de ir até onde ela estava.

— Não deixaram atravessar (a rua). Minha esposa foi pra casa e a levei para a (maternindade) Leila Diniz — disse.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos