'É o tipo de coisa que a gente só sabe a dor quando está passando', diz cunhado de suboficial da Marinha morto por assaltantes

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A família do suboficial da Marinha Fábio Rafael Lima da Costa, morto durante uma assalto na noite desta terça-feira, está no Instituto Médico-Legal (IML), nesta quarta, para a liberação do corpo. O crime aconteceu há menos de 12 horas, próximo à entrada do Túnel Rebouças, na Zona Norte do Rio, quando o militar de 41 anos foi atingido por ao menos três tiros disparados pelo assaltante. Ele chegou a ser socorrido em estado grave para o Hospital municipal Souza Aguiar, no Centro, mas não resistiu aos ferimentos.

Fábio Rafael morava no Rio durante a semana devido ao trabalho no quartel da Praça Mauá, mas vivia com a família em São Pedro da Aldeia, para onde voltava às sextas-feiras. Rodrigo Santos, que é casado com a irmã do suboficial, diz que a família está muito abalada, ao ser surpreendida pelo crime, considerado como latrocínio, roubo seguido de morte.

— Infelizmente, é o tipo de coisa que a gente só sabe a dor quando a gente tá passando, a gente não sabe o que falar para uma mãe que perdeu um filho, eu, particularmente, não sei falar para a minha esposa que perdeu o irmão, que era o pai dela, por eles terem uma diferença de idade alta, então ele era literalmente o pai dela, porque ela não tem pai. Eu não sei o que falar para o filho dele de 14 anos, eu não sei o que falar para o filho dele de 4 anos, que fez aniversário sábado passado, é uma criança que não entende muito, mas vai toda hora perguntar pelo pai, e a gente fica sem palavras. O porquê, vai existir as questões de "ele estava armado". Sim, ele estava armado, ele é um militar, ele tinha todas as autorizações, e a verdade é que muitas pessoas só andam armadas, certo ou errado, por não confiar na segurança pública — disse o cunhado do militar.

Informações preliminares apontam que três criminosos participaram da ação, divididos em duas motos. O suboficial teria reagido à abordagem dos assaltantes. Ainda de acordo com esse primeiro relato, um major reformado da Polícia Militar que passava pelo local também entrou em confronto com os ladrões. Ferido sem gravidade no braço esquerdo, o militar, de 60 anos, foi socorrido para o Hospital Central da corporação.

Um vídeo com imagens fortes que circula nas redes sociais traz o momento em que o suboficial é executado. A gravação mostra vários carros parados no trânsito devido à ação do criminoso. É possível ver um homem em pé atirando em outro, caído no chão, que usa um capacete. O homem atira ao menos quatro vezes contra a vítima, que permanece no chão.

O Corpo de Bombeiros foi chamado às 20h para uma ocorrência com vítima baleada no Paulo de Frontin, altura do motel Magnus, sentido Zona Sul. Segundo informações obtidas no Hospital Souza Aguiar, o militar chegou à unidade já em óbito, com múltiplos ferimentos à bala no peito, na cabeça e na barriga.

Policiais da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) foram acionados e estão indo para o local da execução. Agentes do Grupo de Local de Crime (GELC) irão fazer uma perícia e buscar imagens de câmeras de segurança e testemunhas que levem à identificação dos autores.

Em nota, enviada na manhã desta quarta-feira (20), a Polícia Militar informa que, na noite de terça-feira (19), agentes do 4º BPM (São Cristóvão) estavam em patrulhamento quando foram acionados. A equipe, então, encontrou a vítima "ferida por disparo de arma de fogo caída na via". Os Bombeiros já estavam prestando socorro, no entanto, o militar não resistiu. Ainda segundo a nota, "durante atendimento desta ocorrência, um policial militar da reserva relatou que passava pelo local no momento da ação criminosa sendo também ferido e foi socorrido ao Hospital Central da Polícia Militar, onde recebeu atendimento e foi encaminhado para a 6ª DP após a alta médica".

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