‘É possível ter compromisso social sem aumentar o tamanho do Estado’ diz economista ligado a Lula

O economista Gabriel Galípolo, que tem acompanhado o ex-presidente Lula em encontros com empresários, afirmou hoje em evento transmitido pelo jornal O GLOBO, em Maricá, que é possível ter compromisso social, ou seja, combater a fome no país, mas sem aumentar o tamanho do Estado na economia. Foi um dos sinais mais fortes já dados pela campanha petista de que, em caso de vitória, haverá compromisso com a política fiscal.

Galípolo citou matéria que publiquei ontem, ouvindo economistas, justamente sobre esse tema, mostrando que o problema não é o gasto social, mas a falta de âncora para os gastos públicos.

- Saiu uma matéria recentemente no Globo, achei importantíssimo, com várias pessoas de mercado dizendo que o problema não é o gasto social. Representatividade do povo e do pobre no orçamento é essencial para melhorar a qualidade. É absolutamente possível se pensar em fazer reformas que vão melhorar essa qualidade, com algum compromisso de que você vai garantir não aumentar o tamanho do Estado. Ou ter alguma neutralidade no tamanho do Estado - afirmou.

Outro ponto apontado por Galípolo é de que é preciso ter programas de acompanhamento das despesas públicas, para medir a sua eficácia:

- Aumentar ou reduzir o Estado não deveria ser uma finalidade em si mesmo. Não se trata do tamanho, se trata da eficiência e eficácia desse Estado em conseguir atender aquilo que ele precisa produzir e proporcionar. Nesse sentido, essa lógica de transferência de renda revela uma série de benefícios que tendem a dar resultado muito melhor, do ponto de vista econômico.

No seminário em Maricá, que falou sobre economia circular, e que teve mediação do colunista Pedro Dória, o economista também revelou o que parece ser uma preocupação crescente na cúpula do PT, que é o crescimento de despesas do orçamento secreto e a aprovação de PECs em série, pelo governo Bolsonaro, para driblar o teto de gastos.

- A crítica não é à ampliação de gastos social, mas à forma como isso está sendo feito, quando a gente poderia estar discutindo à luz do sol o orçamento. O que a gente deve criticar é a dinâmica que foi inserida agora, onde gastos surgem através de emendas constitucionais com canetadas e lógicas como o orçamento secreto que é, desculpem o termo, uma excrescência – afirmou.

Com a aprovação da PEC do vale-tudo eleitoral pelo governo Bolsonaro, o mercado financeiro já dá como certo que o auxílio brasil será mantido no ano que vem, no valor de R$ 600. A grande dúvida é como o próximo presidente irá acomodar essas despesas dentro do orçamento, algo em torno de R$ 150 bilhões, sem pressionar a dívida pública. Com a fala de Galípolo, a campanha petista parece querer dar um sinal mais claro de que pretende manter a dívida sob controle.

A conferir.

VÍDEO: Veja abaixo a íntegra do evento, com a fala completa do economista.

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