'É pouco, mas é o que podemos dar no momento ', diz Bolsonaro sobre salário mínimo

André de Souza

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que o salário mínimo, reajustado de R$ 998 para R$ 1.045, é "pouco", mas afirmou que é o valor possível. A declaração foi dada após ouvir um coral de crianças e adolescentes venezuelanos que deixaram o país vizinho em razão da crise econômica.

- O salário mínimo agora na Venezuela foi para R$ 15. O pessoal descendo aqui o cacete no mínimo nosso, que é pouco? Sim, é pouco, a R$ 1.045 foi agora. É pouco, mas é o que podemos dar no momento - disse Bolsonaro.

Em 31 de dezembro, Bolsonaro editou uma medida provisória fixando o salário mínimo em R$ 1.039, um reajuste de 4,1% em relação aos R$ 998 do ano passado. Na terça-feira, após se reunir com o ministro da Economia, Paulo Guedes, o presidente anunciou que o salário mínimo será de R$ 1.045. O valor foi reajustado para corrigir a defasagem que havia feito com que o aumento do piso ficasse abaixo da inflação de 2019.

O presidente também criticou o regime do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro; chamou a política dele e do antecessor, Hugo Chávez, de nefasta; e criticou a presença de médicos cubanos por lá. O Brasil também teve médicos enviados pelo governo de Cuba, aliado da Venezuela, que os retirou do país no fim de 2018 após a eleição de Bolsonaro. Segundo o presidente, eles estavam fazendo um "trabalho diferente" por aqui.

— Essa garotada aqui com toda a certeza gostaria de estar na Venezuela, mas vieram para o Brasil trazidos pelos pais, fugindo da fome, da miséria, da perseguição política. E o Brasil estava caminhando para isso — disse Bolsonaro, acrescentado: — Olhem o Brasil. Olhem a Venezuela. Nós não queremos que nossas crianças saiam do Brasil como eles saíram de lá.