“É preciso parar de sexualizar os corpos das mulheres”, diz prefeito de Grenoble, defensor do burquíni

A cidade de Grenoble, no sudeste da França, está raramente nas páginas de jornais ou ganha destaque nos noticiários de todo o país, como vem acontecendo nas últimas semanas. O motivo é o incansável combate do prefeito da cidade, o ecologista Eric Piolle, para que as mulheres muçulmanas possam frequentar as piscinas municipais usando o burquíni, o polêmico traje de banho que incendeia a direita francesa.

Daniella Franco, enviada especial da RFI a Grenoble

A cada verão, o burquíni volta a atrair a atenção da opinião pública francesa. Geralmente, é nas praias da França que os novos capítulos desta saga têm início. Neste ano, a disputa começou mais cedo, durante a primavera no hemisfério norte, e tem como pano de fundo as piscinas municipais de Grenoble, uma cidade de cerca de 160 mil habitantes, ao pé dos Alpes.

Ironicamente, as piscinas da cidade ainda não reabriram para a frequentação nesta temporada, que inicia em 19 de junho. No entanto, a possibilidade de que as mulheres muçulmanas possam nadar cobrindo boa parte de seus corpos já irrita os conservadores.

Finalmente, no último 25 de maio, o célebre artigo 10 do regulamento das piscinas municipais da cidade, que autorizava o traje de banho muçulmano, foi cancelado. O juiz alegou que o burquíni “permite a alguns frequentadores de desrespeitar as regras com um objetivo religioso (…) gravemente atingindo o princípio de neutralidade do serviço público”. A lei francesa proíbe que dentro dos espaços gerenciados pelo Estado roupas ou acessórios que remetam à religiões e crenças sejam utilizados.


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