'É sobre Thatcher como humana, política e mãe', diz Gillian Anderson sobre retrato da ex-premier britânica em 'The Crown'

O Globo
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A quarta temporada da aclamada série "The Crown" chega à Netflix neste domingo (15). Desta vez, acompanhamos uma nova etapa na trajetória da Rainha Elizabeth II, interpretada por Olivia Colman, e a chegada de novos personagens emblemáticos: a amada princesa Diana, vivida por Emma Corrin, e a controversa primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, retratada por Gillian Anderson, estrela da série "Sex Education".

Eleita em 1979, Thatcher foi a primeira mulher a governar o Reino Unido, assim como uma grande potência ocidental. A primeira-ministra entrou para a História como o maior expoente da onda política liberal e antiestatal que atravessou as fronteiras britânicas nos anos seguintes. Amada e odiada, triunfou num meio dominado por homens, mas não priorizava os direitos da mulher.

“Tive que chegar a um ponto em que não tinha nada a ver com minhas opiniões sobre suas políticas e suas ações”, disse Anderson em entrevista a Harper's Bazaar britânica, que a escolheu como uma das "mulheres do ano". "É apenas sobre ela como ser humano e sua motivação como política e como mãe", completou a atriz.

Ela contou que por vezes se pegou questionando o retrato feito da premier, mas garantiu que não recebeu nenhum tratamento especial para moldar seu personagem por ser namorada do criador da série de sucesso, Peter Morgan. "Para nossa própria sanidade e, na verdade, para o benefício do relacionamento, tínhamos limites muito claros”, afirmou. "Não vou comentar o roteiro, mas você não pode comentar a performance!"

À medida que os episódios da série se desenrolam, é possível ver Thatcher se chocando contra o julgamento esnobe da família Real e o desdém paternalista de alguns de seus membros do Gabinete. À revista, a atriz disse que não pestanejou para aceitar o papel. O desafio da personagem e a dificuldade em interpretar alguém tão presente no imaginário coletivo "por mais assustador que seja, você tem que dizer sim", afirmou.

A transformação na tela é impressionante. Nas gravações, que terminaram pouco antes do Reino Unido decretar o primeiro lockdown, ela usou um terno acolchoado para ampliar um pouco o seu tamanho. Mas, fora isso, não houve mudanças físicas particulares além do que ela era capaz de fazer como atriz: a voz grandiosa, quase rouca, o andar inclinado, o sorriso particular. Por um tempo, a equipe criativa brincou com a ideia de ela usar dentes protéticos para capturar a forma distinta da boca de Thatcher, mas Anderson os achou muito complicados.

A atriz contou que, em determinado momento nas gravações, usando o traje completo de Thatcher, ela sorriu para o seu companheiro, Peter Morgan. "Eu sorri para ele, como eu, Gillian, sorrindo para seu namorado, mas ele respondeu vibrando: 'é a Thatcher! este sorriso é Thatcher!'", disse a atriz, rindo. "E eu disse não! Este sorriso sou eu!"

Terminadas as gravações, Anderson disse à Harper's Bazaar que aproveitou o confinamento imposto pelo coronavírus para ficar com a família e estudar, se dedicando a leituras e estudos sobre os movimentos anti-racistas. "Eu precisava olhar para as minhas percepções sobre várias coisas e me interrogar e ser mais favorável aos negócios tocados por pessoas negras, mais ativa na discussão com a escola dos meus filhos sobre como eles vão falar sobre este momento muito importante da história", se referindo aos protetos do movimento Black Lives Matter, que tomaram o mundo em junho. Ela também está envolvida no incentivo de projetos de teatro envolvendo escritores e diretores negros.