'É uma monstruosidade', diz filha de João Alberto sobre morte do pai após espancamento

O Globo
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PORTO ALEGRE - A filha mais velha de João Alberto Silveira Freitas, o homem negro morto por seguranças do supermercado Carrefour em Porto Alegre na última quinta-feira (19), ficou sabendo da morte do pai após ser contatada por primos na madrugada de sexta. Logo em seguida, Thais Freitas, 22, começou a receber mensagens com notícias e vídeos das cenas de agressão ao pai, que tinha 40 anos.

— Aquele vídeo é uma monstruosidade, ele poderia ter sido imobilizado e esperar a polícia chegar. O serviço deles não é matar — afirmou a jovem, que trabalha como faxineira e é mãe da única neta de João Alberto, uma menina de 6 anos.

O homem negro que morreu durante agressão no estacionamento do mercado tinha quatro filhos (três meninas e um menino).

Thais diz que guarda boas lembranças do pai, especialmente de quando era pequena.

— Ele era muito carinhoso — contou. Ela se lembra que, na última vez que recebeu uma visita do pai, ele tinha levado um urso de pelúcia para a neta.

A jovem qualificou a morte do pai como um episódio de racismo.

— Nossa sociedade é racista e eu já sofri racismo, como apelidos, por exemplo. As pessoas ficam nos olhando diferente no shopping. Só a cor da pele é diferente, mas somos todos iguais — disse.

Thais compareceu nesta manhã ao velório e ao enterro do pai, que foi marcado por indignação e pedidos de justiça.

João Alberto foi brutalmente espancado até a morte por dois seguranças brancos na saída da unidade do Carrefour no bairro Passo D'Areia, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Vídeos que circulam em redes sociais mostram ele sendo agarrado pelas costas por um segurança e agredido por outro com diversos socos na cabeça.

A repercussão do caso levou a protestos em todo o país, com uma loja do Carrefour tendo sido depredada em São Paulo.