É uma vergonha e não vai ajudar legado do presidente, diz Biden sobre recusa de Trump em aceitar derrota

MARINA DIAS
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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  17-06-2014 - Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 17-06-2014 - Joe Biden. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - O presidente eleito dos EUA, Joe Biden, classificou como "uma vergonha" o fato de Donald Trump não reconhecer a vitória democrata nas eleições, mas afirmou que o fato não deve ter muitas consequências para o processo de transição e que está ansioso para falar com o republicano.

"Acho que é uma vergonha, para ser franco. Como posso dizer isso com mais tato? Eu acho que não vai ajudar no legado do presidente", disse Biden ao ser questionado por jornalistas sobre o fato de Trump não conceder a vitória ao democrata, como é praxe nos EUA após a imprensa projetar o resultado.

Desde que Biden foi declarado vitorioso, no sábado (7), Trump não reconheceu a derrota e insiste, sem provas, na tese que a eleição foi fraudada.

O presidente já entrou com diversas ações judiciais para questionar o resultado do pleito e contou com quadros importantes do Partido Republicano, como o secretário de Estado, Mike Pompeo, endossando sua empreitada em público.

Nesta terça, Pompeo falou em "transição suave para um segundo mandato de Trump" e também se recusou a reconhecer a vitória de Biden.

"Nós estamos prontos. O mundo está assistindo o que está acontecendo. Nós vamos contar todos os votos. Quando o processo estiver completo haverá um eleito selecionado, há um processo, a constituição estabelece de maneira muito clara", disse Pompeo.

O chefe da diplomacia dos EUA chamou de ridícula uma pergunta sobre o governo americano cobrar eleições justas no resto do mundo, mas não aceitar uma derrota.

Questionado sobre o comportamento do secretário, Biden sorriu e depois emendou que espera falar com Trump em breve. "Senhor presidente, estou ansioso para falar com você", disse Biden.

A equipe de Trump bloqueou o acesso a informações e recursos do governo para a equipe de transição de Biden.

Assim que um novo presidente é eleito, a Administração de Serviços Gerais (GSA, na sigla em inglês) autoriza de maneira formal o início da transição, o que ainda não aconteceu.

A agência assina carta que libera recursos para pagamento de salários e apoio administrativo aos novos funcionários, além do acesso à burocracia americana --este ano, o valor total é estimado em US$ 9,9 milhões.

Apesar dos impasses, Biden afirmou nesta terça que não cogita uma ação legal para que a GSA reconheça a sua vitória. Ele afirmou que já iniciou seu processo de transição, nomeando uma força-tarefa contra a Covid-19, na segunda, e que consegue seguir o processo sem os recursos federais até sua posse, em janeiro.

Biden usaria o dinheiro arrecadado durante a campanha para as despesas.