É urgente vacinar mais crianças contra a Covid

Depois de uma série de equívocos na condução da vacinação infantil, o Ministério da Saúde parece enfim agir com sensatez. Na sexta-feira, autorizou a imunização de crianças de 3 e 4 anos, acompanhando recomendação do comitê técnico, que também aprovou a dose de reforço para a faixa de 5 a 11 anos. A decisão foi tomada pouco depois que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou por unanimidade o uso emergencial da vacina CoronaVac para crianças de 3 a 5 anos — ela estava autorizada apenas para as maiores de 6. Tanto CoronaVac quanto Pfizer (esta na faixa de 5 a 12 anos) são usadas na vacinação infantil.

Além da cidade do Rio, primeira a anunciar a vacinação das crianças menores (antes mesmo do aval do Ministério da Saúde), pelo menos outras seis capitais brasileiras já começaram a aplicar as vacinas (Salvador, Fortaleza, São Luís, Belém, Manaus e Boa Vista). Já não era sem tempo. Os índices alcançados na imunização infantil têm sido decepcionantes diante da necessidade de deter o contágio —apenas 40% das crianças entre 5 e 11 anos estão com ciclo vacinal completo, e pouco mais de 64% tomaram ao menos uma dose.

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O Ministério da Saúde orientou estados e municípios a usar os estoques disponíveis para estender a proteção ao grupo de 3 e 4 anos. A decisão ganha relevância quando se sabe que, a cada dia, duas crianças menores de 5 anos morrem em consequência da Covid-19 no Brasil. Segundo a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), houve em 2020, primeiro ano da pandemia, 599 mortes nessa faixa etária. No ano passado, quando a doença se revelou mais letal, o número subiu para 840. Dados preliminares sugerem que a média macabra se mantém neste ano.

Felizmente, o ministério não repete os erros cometidos quando da aprovação das vacinas contra a Covid-19 para crianças, no fim do ano passado. Na época, seguindo o roteiro traçado pelo presidente Jair Bolsonaro, que se manifestara contra a decisão, o governo fez de tudo para atrasar o início da campanha. Convocou até uma descabida audiência pública para discutir a questão, armando palco para manifestação dos grupos antivacina. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos chegou ao cúmulo de criar um serviço para receber denúncias de pais contrários à vacinação, desvario que só não foi adiante por uma intervenção oportuna da Justiça.

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O governo precisa agora adquirir as doses quanto antes, pois não há tempo a perder. Não importa se elas serão compradas do Instituto Butantan ou de outro lugar, como cogita o ministério. Importa que estejam disponíveis nos postos para as famílias que quiserem vacinar seus filhos.

O alto número de mortes de crianças menores de 5 anos por Covid-19 no país exige ação rápida. A Anvisa, que não aprovaria uma vacina que não fosse segura e eficaz, fez sua parte. Agora, o governo precisa fazer a dele: comprar as vacinas, distribuí-las aos estados e promover campanhas para esclarecer os brasileiros sobre a importância de vacinar todas as crianças, inclusive as pequenas. Seria um crime deixar que crendices de grupos antivacina que contaminam as redes sociais se sobrepusessem aos critérios técnicos e científicos que justificam a vacinação. É a vida das crianças que está em jogo.

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