Ídolo romântico, Márcio Greyck faz disco em casa para retomar sucesso: 'Já conheci mais de 20 pessoas com o meu nome'

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RIO - Corriam os anos 1960 quando o mineiro Márcio Pereira Leite, jovem cantor de pop italiano, se deixou encantar pelos Beatles e criou um avatar: Márcio Greyck. Com esse nome artísitico ele singraria pelos programas de auditório de Belo Horizonte e do Rio e, nos 1970, se tornaria um dos mais populares artistas da música romântica no Brasil — e um nome daqueles que as mães dão aos filhos.

— Já conheci mais de 20 pessoas com o meu nome! — jura o cantor de hits como “Aparências” (depois regravada por todo mundo, de Belchior a Luan Santana), “O mais importante é o verdadeiro amor” e “Impossível acreditar que perdi você”, agora de volta ao mercado com o álbum “Envolver”.

Márcio fez seu primeiro disco com canções inéditas em 34 anos na sua casa, cantando e tocando tudo. Meio como o ídolo Paul McCartney em seu primeiro disco solo, “McCartney” (1970).

— Na pandemia, meu filho me deu esse Garage Band [programa de gravação e edição sonora dos computadores da Apple] e eu descobri uma Disneylândia — conta o cantor de 74 anos. — Não sou instrumentista. Eu toco um violão nota 7, piano nota 3... foi a manha que eu peguei vendo os outros tocarem. É tudo um envolvimento, e por isso dei ao CD o nome de “Envolver”.

Dono do selo Discobertas, que lançou “Envolver”, o produtor Marcelo Fróes conta que Márcio vinha mostrando algumas das músicas novas.

— Aí engrenou na pandemia. Uma noite eu sonhei com Raul Seixas me perguntando: “Bicho, que fim levou o Márcio Greyck?” Liguei e ele falou que tinha um disco pronto. Fiquei particularmente surpreendido com a qualidade das performances instrumentais e com o frescor da voz — conta Fróes, que aí se viu diante da tarefa de convencer o cantor de que valia a pena lançar o disco.

Vendas de Roberto Carlos

Há muito, Márcio Greyck havia se desiludido da indústria da música (“as gravadoras foram sendo corrompidas por diretores que pensavam só em si mesmos”). Ele se recorda bem da batalha que foi para lançar, em 1971, o ousado LP “Corpo e alma”, em que aparecia na capa sentado em uma cadeira, descalço, comendo uma maçã verde e cercado de refletores.

— Como os Beatles tinham botado milhões de informações na capa do “Sgt. Pepper’s” achei que dava pra botar também — ri. — Ninguém entendeu minhas ideias, mas tiveram que aceitar porque o compacto simples, “Impossível acreditar que perdi você” tinha explodido. Enquanto o Roberto Carlos vendia 300 mil discos, vendi 600 mil.

Sucesso maior estava por vir, quando em 1981 o cantor estourou com “Aparências”, regravada por ele em espanhol em um disco que tocou muito nos países da América Latina. Bons tempos. Márcio Greyck lembra de uma vez em que estava na Guatemala e ouviu a sua canção “Vivendo por viver” cantada em espanhol por Roberto Carlos.

— Um cantor internacional que estava lá disse: “mas essa é uma música de Roberto!”. Eu disse que era minha e ele não acreditou — conta. — Ele pediu ara trazer a capa do LP e quando viu meu nome até mudou de jeito. E virou um grande amigo meu.

Fã, amigo e parceiro (em “Sábado de chuva e sol”, faixa de “Envolver”), Zeca Baleiro é um dos mais entusiasmados com o novo disco de Greyck:

— Márcio é um artista genial, craque melodista, um cara que joga nas onze. Fico feliz com a volta, ainda mais neste formato “McCartney”.

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