Índia deve resistir ao discurso anti-EUA em cúpula com Xi e Putin

A Índia deve ficar contra uma iniciativa antecipada do presidente chinês, Xi Jinping, para usar o encontro dos Brics de 2022 como uma plataforma para ressaltar seus esforços para construir uma alternativa à ordem global liderada pelos EUA, afirmam integrantes do governo indiano.

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A reunião virtual, organizada por Pequim esta semana, deve colocar juntos Xi, o presidente russo, Vladimir Putin, o premier indiano, Narendra Modi, e os presidentes da África do Sul, Cyril Ramaphosa, e do Brasil, Jair Bolsonaro.

Os negociadores indianos querem que qualquer declaração conjunta seja neutra, e buscam evitar que Rússia e China usem o encontro para obter uma vitória em termos de propaganda contra os EUA e aliados, afirmam os representantes de Nova Délhi. O governo de Modi também tentará atrasar os esforços de Pequim para expandir os Brics ao forçar uma definição dos critérios para a entrada de novos membros.

“Os Brics se tornaram uma plataforma para deliberar e discutir temas de interesse comum de todos os países em desenvolvimento”, afirmou, em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores indiano. Os chefes de Estado devem discutir “a cooperação intra-Brics em áreas como o contraterrorismo, comércio, saúde, medicina tradicional, meio-ambiente”, o combate à pandemia, a reforma de instituições multilaterais, dentre outros.

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O encontro vai oferecer a Xi e Putin uma plataforma para expandirem suas visões sobre uma ordem global, depois que os dois líderes declararam uma “amizade sem limites”, semanas antes da invasão russa da Ucrânia. A China deu apoio diplomático crucial à Rússia, pressionando contra novas sanções dos EUA e buscando uma redefinição de termos como democracia e direitos humanos.

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Xi vai dar o tom do encontro em um discurso na quarta-feira, um dia antes da reunião dos líderes. O presidente chinês vai organizar ainda um diálogo com os líderes dos países do bloco e de nações emergentes, de acordo com a Chancelaria chinesa.

Brasil, Rússia, Índia e China formaram o bloco em 2009, e a África do Sul se juntou em 2010. A reunião desta semana será realizada no formato virtual, com o tema “Promover uma parceria dos Brics de alta qualidade, e inaugurar uma nova era para o desenvolvimento global”.

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