Índia encomenda vacina contra Covid sem aprovação em meio a 2ª onda devastadora

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Por Neha Arora e Sethuraman N R

NOVA DÉLHI (Reuters) - A Índia fez sua primeira encomenda de uma vacina contra Covid-19 sem aprovação nesta quinta-feira, um dia depois de críticas da Suprema Corte à distribuição de vacinas desordenada no país, que deixou milhões de pessoas vulneráveis após quase 338 mil mortes.

Até agora, só 4,7% dos 950 milhões de adultos indianos receberam duas doses de uma vacina. O segundo país mais populoso do mundo está sofrendo com uma segunda onda generalizada de infecções que matou cerca de 170 mil pessoas só em abril e maio.

O governo comprará 300 milhões de doses de vacina da empresa local Biological-E e pagou um adiantamento de 205,6 milhões de dólares, informou o Ministério da Saúde, embora o imunizante ainda passe por testes clínicos de estágio avançado.

"O arranjo com a Biological-E é parte do empenho mais abrangente do governo da Índia para incentivar fabricantes de vacina nativos oferecendo-lhes apoio em pesquisa e desenvolvimento, e também apoio financeiro", disse o ministério em um comunicado.

O país inocula sua população com vacinas da AstraZeneca produzidas pelo Instituto Serum da Índia, assim como a Covaxin, fabricada pela empresa local Bharat Biotech, e se prepara para lançar comercialmente a russa Sputnik V em meados de junho.

Mas os suprimentos estão ficando escassos desde que o governo liberou a vacinação para todos os adultos no mês passado. Alguns centros de vacinação tiveram que fechar, provocando críticas da Suprema Corte a uma falta de planejamento.

Embora o governo federal tenha dado vacinas gratuitamente a idosos e profissionais da linha de frente, deixou a cargo de governos estaduais e hospitais particulares administrarem doses a pessoas de 18 a 45 anos, cobrando.

"A política do governo central de realizar ele mesmo a vacinação gratuita de grupos nas duas primeiras fases e substitui-la pela vacinação paga... é, prima facie, arbitrária e irracional", disse a Suprema Corte.

Nesta semana, o governo disse que poderia ter até 10 milhões de doses por dia em julho e agosto, bem acima das menos de três milhões atuais.

Deve ser cada vez maior a pressão para o governo acelerar as vacinações, já que vários Estados se preparam para amenizar lockdowns economicamente prejudiciais apesar dos números diários altos de infecções e mortes.

A Índia computou mais 2.887 fatalidades de madrugada, o que eleva seu total a 337.989 – cifra só inferior às de Estados Unidos e Brasil.

(Por Neha Arora em Nova Délhi e Nallur Sethuraman em Bengaluru; reportagem adicional de Rajendra Jadhav, Bhargav Acharya, Rama Venkat, Tanvi Mehta e CK Nayak)

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