Índia pede ao Twitter remoção de postagens com críticas sobre atuação do governo na pandemia

Extra e agências internacionais
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Publicações no Twitter que criticavam a atuação de autoridades da Índia em meio à pandemia de Covid-19 foram removidas pela plataforma a pedido do governo. Os tuítes falavam sobre escassez de remédios e leitos, cremações em massa e aglomerações. O país vive um colapso no sistema de saúde e tem registrado recordes diários de novos casos. Nas últimas 24 horas, foram 352.991 novas infecções e 2.812 mortes registradas.

Entre os tuítes, havia comentários de políticos, como o porta-voz do Congresso Pawan Khera, o membro do Parlamento Revanth Reddy, e um dos ministros de West Bengal, Moloy Ghatak. Este último apontou o primeiro-ministro Narendra Modi como "diretamente responsável pelas mortes por Covid-19".

A remoção do conteúdo foi registrada pelo banco de dados Lumen, um projeto do Centro Berkman Klein para Internet e Sociedade da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos. A iniciativa coleta e analisa solicitações de retirada de material da internet. Procurado pelo projeto, o Twitter afirmou que revisou o conteúdo após "receber uma solicitação legal válida. O governo indiano teria feito o pedido baseado na Lei de Tecnologia da Informação de 2000, com ênfase no artigo que trata de "proteção da soberania e integridade" do país.

"Se for determinado que é ilegal em uma jurisdição específica, mas não uma violação das Regras do Twitter, podemos reter o acesso ao conteúdo apenas na Índia", informou a rede social em comunicado.

Porta-voz do Partido do Povo Indiano (BJP), Gopal Agarwal, disse à emissora britânica BBC "que o material em questão era enganoso ou poderia provocar pânico".

— Não podemos permitir notícias falsas que prejudiquem o país. A crise está sendo agravada por notícias falsas e o conteúdo da mídia social tem que estar de acordo com o estado de direito — justificou.

Outro funcionário do Ministério de Eletrônica e TI disse ao jornal "The Hindu" que era "necessário tomar medidas contra aqueles que estão fazendo mau uso da mídia social para fins antiéticos".

Após a remoção do conteúdo, usuários acusam o governo de "censura" e apontam o Twitter como "cúmplice".