Índia restringe financiamento estrangeiro para caridade de Madre Teresa

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Freiras missionárias da caridade participam de oração pelo 111º aniversário de nascimento da Madre Teresa, em 26 de agosto de 2021, em Calcutá, Índia (AFP/Dibyangshu SARKAR)

A Índia cortou o financiamento estrangeiro de uma instituição de caridade fundada pela Madre Teresa, uma medida criticada como evidência do assédio aos cristãos sob o atual governo nacionalista hindu.

Missionárias da Caridade foi fundada em 1950 pela Madre Teresa, uma freira católica que dedicou sua vida a ajudar os pobres da cidade indiana de Calcutá, ganhou o Prêmio Nobel da Paz e foi canonizada.

A organização tem abrigos para desabrigados em toda Índia e, de acordo com o jornal Hindu, recebeu cerca de US$ 750 milhões do exterior no ano fiscal de 2020-21.

O Ministério do Interior indiano disse que, em 25 de dezembro foi "negada" a renovação da licença da organização para receber financiamento estrangeiro.

Em um comunicado divulgado na segunda-feira (27), o ministério explicou que "não reúne as condições de elegibilidade" no âmbito da lei que regulamenta as contribuições estrangeiras, após "constatar contribuições adversas", sem dar mais detalhes.

O vigário-geral da Arquidiocese de Calcutá, Domingos Gomes, classificou o anúncio como "um cruel presente de Natal para os mais pobres".

Em uma nota, a organização disse que instruiu seus centros a não usarem contas bancárias em moeda estrangeira "até que o assunto se resolva".

Há duas semanas, a polícia do estado de Gujarat, base eleitoral do primeiro-ministro Narendra Modi, começou a investigar a entidade pela suposta "conversão forçada" de hindus ao cristianismo.

Ativistas disseram que as minorias religiosas da Índia enfrentam níveis crescentes de discriminação e de violência desde que o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata, de Modi, chegou ao poder, em 2014.

Em 2020, a Comissão Internacional de Liberdade Religiosa dos Estados Unidos identificou a Índia como um "país de particular preocupação" pela primeira vez desde 2004. O governo Modi nega ter uma agenda de hegemonia hindu e insiste em que pessoas de todas as religiões têm os mesmos direitos.

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