Índia trava envio de 8 milhões de doses de vacina ao Brasil, diz Pazuello

Rodrigo Viga Gaier
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Vacinação contra Covid-19 no Brasil

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Índia bloqueou o envio ao Brasil de 8 milhões de doses prontas da vacina da AstraZeneca contra a Covid-19 produzidas pelo Instituto Serum, daquele país, previstas em um acordo com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), afirmou o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, nesta segunda-feira.

Segundo Pazuello, que falou a repórteres após visitar as instalações da Fiocruz responsáveis pela produção de vacinas, o Brasil terá que "fazer pressão" sobre o Serum e demais envolvidos no acordo para receber as doses previstas da vacina.

“O laboratório Serum vem fazendo postergação na entrega, vierem 4 e faltam 8 milhões. Vamos ter que fazer uma pressão política, diplomática e até pessoal junto à AstraZeneca, que cobre do Serum para cumprir a entrega“, disse Pazuello.

“A Índia como país dificultou o processo porque proibiu a exportação“, acrescentou.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que também participou do encontro, disse que o governo federal busca importar vacinas agora da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e de outros países para suprir o déficit provocado pelo bloqueio da Índia.

O acordo com a AstraZeneca previa que o Brasil receberia 12 milhões de doses do Instituto Serum, mas apenas 4 milhões foram enviadas ao país até o momento. O acerto para a importação de vacinas prontas foi costurado pela Fiocruz devido ao atraso para a chegada do insumo farmacêutico ativo da China no final do ano passado para o início do processo de envase do imunizante no Brasil.

Até o momento a Fiocruz não entregou doses envasadas localmente ao Ministério da Saúde. A expectativa é que os primeiros lotes sejam repassados nas próximas semanas, após um problema técnico.

O governador do Piauí, Wellington Dias (PT), que também participou do encontro na Fiocruz, disse que o governo federal busca importar vacinas agora da Coreia do Sul, dos Estados Unidos e de outros países para suprir o déficit provocado pelo bloqueio da Índia.

Dias, que coordena o tema das vacinas no Fórum dos Governadores, disse também que o Brasil vai buscar uma resposta à Índia pelo que afirmou ter sido uma quebra de contrato.

“Como não cumpriram contrato, vamos com a nossa diplomacia, com nosso Congresso junto ao Congresso do Reino Unido, para haver essa entrega“, disse o governador após a visita na Fiocruz, que foi precedida por uma reunião virtual de Pazuello com diversos governadores.

Diante da necessidade de acelerar a imunização da população contra Covid-19, uma vez que o Brasil tem registrado recordes seguidos de óbitos pela doença enquanto vacinou menos de 4% da população, o governo seguirá buscando possíveis fornecedores de vacina no mundo.

Entre as possibilidades estão a importação de doses de um laboratório da AstraZeneca na Coreia do Sul e a compra de 10 milhões de doses do laboratório que estariam armazenadas e sem uso nos Estados Unidos. “Queremos trazer vacina o mais rápido possível para complementar vacinas semanalmente“, disse Pazuello.

O ministro disse ter a expectativa que o governo entregue em março aos Estados de 25 milhões a 28 milhões de doses de imunizantes.

O vice-presidente de Gestão e Desenvolvimento Institucional da Fiocruz, Mário Moreira, afirmou que a fundação acertou um novo acordo com a AstraZeneca, via iniciativa Covax Facility, da Organização Mundial da Saúde (OMS), para viabilizar 7 milhões de doses ao Brasil, sendo 2,9 milhões para março.