Índia vê disparada persistente de Covid-19, faltam vacinas

Neha Arora e Rajendra Jadhav
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Cartaz que informa sobre falta de vacinas contra Covid-19 em centro de vacinação em Mumbai, na Índia

Por Neha Arora e Rajendra Jadhav

NOVA DÉLHI (Reuters) - A Índia relatou um número recorde de 126.789 casos novos de Covid-19 nesta quinta-feira, e vários Estados mostram dificuldade para conter uma segunda disparada de infecções, queixam-se de falta de vacinas e exigem que as inoculações incluam pessoas mais novas.

As infecções diárias ultrapassaram a marca de 100 mil pela primeira vez na segunda-feira, e já superaram esta cifra três vezes desde então, as maiores elevações diárias do mundo.

O pico, atingido muito mais rápido do que a primeira onda do ano passado, pegou as autoridades de surpresa. O governo atribui o ressurgimento principalmente às aglomerações e à relutância de se usar máscaras desde que lojas e escritórios reabriram.

A Nova Zelândia suspendeu a entrada de todos os viajantes da Índia nesta quinta-feira, incluindo seus próprios cidadãos, durante cerca de duas semanas.

Com 12,9 milhões de casos, a Índia é o país mais atingido do mundo, só atrás de Estados Unidos e Brasil. As mortes aumentaram em 685 --o maior número em cinco dias-- e chegaram a 166.862, de acordo com dados do Ministério da Saúde do país.

Centros de vacinação de vários Estados, incluindo Maharashtra, o mais atingido, estão fechando cedo e rejeitando pessoas devido ao esgotamento dos suprimentos. O Estado de Odisha disse que fechou metade de seus postos de vacinação.

O ministro da Saúde de Maharashtra, Rajesh Tope, acusou o governo federal de alocar uma quantidade relativamente menor de doses ao Estado do que àqueles governados pelo partido do primeiro-ministro, Narendra Modi. Ele ainda disse que seu Estado estudará a precificação do remédio antiviral Remdesivir, citando uma escassez.

Um porta-voz do Ministério da Saúde federal não respondeu de imediato a um e-mail da Reuters pedindo comentário.

O governo federal negou qualquer escassez para o grupo prioritário de pessoas acima de 45 anos e de profissionais da linha de frente, acusando Estados de disseminarem o pânico.

Profissionais de saúde diante de um hospital governamental da cidade de Mumbai, a capital financeira da Índia, foram vistos rejeitando pessoas e instruindo-as a ligar para um telefone de assistência criado pelas autoridades municipais.

"Não sabemos quando voltaremos a ter estoque de vacina. Ela pode estar disponível hoje mais tarde, ou talvez amanhã", disse um deles.

(Por Neha Arora, Nallur Sethuraman, Rajendra Jadhav, Francis Mascarenhas e Devjyot Ghoshal)