Índice engata 3ª alta na semana com respaldo externo; Braskem sobe 3%

Paula Arend Laier
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Pessoas passam em frente ao prédio da B3 em São Paulo

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista engatava a terceira alta seguida nesta quinta-feira, respaldada pelo clima externo favorável, bem como pela expectativa de votação sem surpresas da PEC Emergencial em segundo turno na Câmara dos Deputados.

Da pauta corporativa, Braskem avançava 3% após lucro no último trimestre de 2020, revertendo prejuízo um ano antes, enquanto a agenda macro mostrou alta acima do esperado na inflação medida pelo IPCA em fevereiro.

Às 11:10, o Ibovespa subia 1,45 %, a 114.408,03 pontos. O volume financeiro somava 6,6 bilhões de reais.

Apesar do avanço nos últimos pregões, o Ibovespa ainda não anulou o tombo de 4% segunda-feira, com o desempenho na semana ainda negativo em 0,7%. Naquela sessão, as vendas prevaleceram em meio a receios sobre a cena política do país.

A Câmara deve votar nesta quinta o segundo turno da PEC Emergencial, após concluir a votação em primeiro turno da proposta, com alterações, caso da retirada de trecho que previa desvinculação de recursos da Receita em caso de crise fiscal.

A aprovação da emenda que retira a previsão de desvinculação não deve forçar a PEC a passar por uma segunda análise por parte do Senado, já que houve apenas uma supressão, e não uma mudança no conteúdo da proposta.

"A expectativa é de que a aprovação venha sem novas surpresas", afirmou a Guide Investimentos, em nota a clientes.

Ainda no cenário doméstico, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,86% em fevereiro ante 0,25% no mês anterior, segundo o IBGE, superando a previsão de analistas e encostando no teto da meta na medida em 12 meses.

"O cenário inflacionário volta a preocupar", afirmou o estrategista-chefe do banco digital modalmais, Felipe Sichel, citando riscos atrelados a contínua desvalorização cambial e retomada de redução da mobilidade somada ao auxílio emergencial.

Sichel afirmou que sua projeção para a inflação este ano encontra-se acima da meta, enquanto a do ano que vem dá sinais de poder começar a se mover para cima dela. Assim, vê alta de 0,5 ponto percentual na Selic na próxima semana.

"Com riscos de elevação de 0,75%", ponderou, estimando ainda que o tom do comunicado que acompanha a decisão deverá ser 'hawkish' (expressão usada para caracterizar viés mais favorável a aumento de juros a fim de controlar a inflação) .

No exterior, futuros acionários norte-americanos avançavam, ainda refletindo alívio em relação à perspectiva de inflação norte-americana na véspera, além de aprovação do pacote de estímulos de 1,9 trilhão de dólares nos Estados Unidos.

DESTAQUES

- CSN ON valorizava-se 7%, em sessão de forte alta do setor de mineração e siderurgia na bolsa, seguindo reação dos futuros de minério de ferro na China, que fecharam com alta de 5,6%. VALE ON subia 1,85%.

- BRMALLS ON avançava 7,2% antes da divulgação do balanço trimestral após o fechamento da bolsa, com ações de shoppings como um todo no azul. MULTIPLAN ON tinha elevação de 7,8% e IGUATEMI ON valorizava-se 6,4%.

- BRASKEM subia 3,2%, renovando máximas em mais de um ano, após lucro de 878 milhões de reais no quarto trimestre, revertendo prejuízo bilionário, ajudado pela taxa de câmbio e spreads melhores.

- ECORODOVIAS ON subia 4,4%, com crescimento do tráfego nas principais rodovias por ela administradas no último trimestre de 2020, mas uma baixa contábil determinando prejuízo no período. CCR ON ganhava 6,2%.

- PETROBRAS PN tinha acréscimo de 2,5%, favorecida pela alta dos preços do petróleo no exterior. A petrolífera de controle estatal convocou para 12 de abril assembleia de acionistas para eleger conselheiros.

- BRADESCO PN e ITAÚ UNIBANCO PN subiam 2% e 1,6%, respectivamente. O Banco Central prorrogou até novembro alíquota menor de compulsório sobre depósito a prazo citando restrições à captação bancária. [nL1N2L837A]

- KLABIN UNIT recuava 2,5%, na esteira da queda do dólar em relação ao real , o que também afetava SUZANO ON, negociada em baixa de 1,9%, além de empresas de proteínas, com JBS ON cedendo 1,8%.

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(Por Paula Arend Laier)