Índice que reajusta aluguel fecha o ano com alta de 23%, a maior desde 2002

O Globo*
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Gabriel Monteiro/Agência O Globo

RIO — O Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis, encerrou 2020 com a alta de 23,14%. Foi a maior alta do IGP-M desde 2002, quando o índice acumulou alta de 25,31%, segundo divulgou a Fundação Getulio Vargas (FGV) nesta terça-feira.

Agora em dezembro, o índice avançou 0,96%, percentual inferior ao apurado em novembro, quando havia apresentado taxa de 3,28%. Em dezembro de 2019, o índice havia subido 2,09% e acumulava alta de 7,30% em 12 meses.

O resultado deste mês foi influenciado por um queda no preço das matérias-primas, de acordo com o coordenador dos índices de preços do Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), André Braz.

"As matérias-primas brutas caíram 0,74% em dezembro. As principais contribuições para este movimento partiram das commodities: soja (11,91% para -8,93%), bovinos (7,40% para -0,58%) e milho (21,85% para -2,17%)", afirmou Braz por meio de nota.

Em sentido oposto, destacam-se os itens minério de ferro (-2,39% para 4,34%), leite in natura (-3,80% para 2,41%) e café em grão (2,13% para 6,47%).

Em novembro, o grupo Matérias-Primas Brutas registrou alta de 5,60%.

— Os preços da soja e do milho seguem em alta em bolsas internacionais e tal movimento pode limitar a magnitude das quedas nas próximas apurações — afirma André Braz, coordenador dos Índices de Preços.

O IGP-M é muito influenciado pela variação do dólar e pelos preços de commodities, como grãos e metais, porque na composição do IGP-M, o Índice de Preço Amplo (IPA), que reflete os preços no atacado, corresponde a 60%.

Apesar da forte alta do IGP-M em 2020, os analistas de mercado imobiliário dizem que há espaço para renegociar um aumento menor do valor do contrato diante do atual cenário de crise econômica, agravada pela pandemia do novo coronavírus.

Entre os três componentes do índice, a maior pressão de 2020 foi observada no Índice de Preço ao Produtor (IPA). De acordo com a FGV, o IPA, que tem peso de 60% no IGP-M, variou 0,90% em dezembro, ante 4,26% em novembro. No acumulado de 2020, o indicador registrou avanço de 31,63%.

Já o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), com peso de 30% no IGP-M, subiu 1,21% em dezembro, ante 0,72% em novembro, e, no acumulado do ano, teve alta de 4r,81%.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que tem peso de 10%, variou 0,88% em dezembro, ante 1,29% no mês anterior. No ano, o INCC acumula alta de 8,66%.

*Com G1