Óculos de realidade virtual tentam ir além de games. Mercado vai superar US$ 5 bi em 2023

Associados ao universo dos games, os óculos de realidade virtual e aumentada podem experimentar em 2023 o seu maior crescimento desde que os primeiros modelos começaram a chegar ao mercado, há seis anos. O segmento se prepara para ultrapassar a barreira inédita dos US$ 5 bilhões em vendas no ano que vem com opções mais leves e soluções voltadas para gerar negócios no varejo, esporte e entretenimento.

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Previsão da consultoria Gartner aponta que o faturamento do setor deve avançar 12% neste ano e outros 15% em 2023. Mas, apesar da alta, os óculos de realidade virtual ainda são coadjuvantes dentro do segmento chamado de “wearables” (produtos vestíveis conectados), que deve movimentar US$ 101 bilhões no ano que vem e reúne devices conectados como relógios, pulseiras e anéis.

É assim que fabricantes de smartphones e operadoras se reúnem ao longo desta semana para apresentar novidades durante o Snapdragon Summit, evento de tecnologia que abre a temporada de lançamentos para 2023.

A principal novidade da temporada é a criação de modelos com nova plataforma de inteligência artificial que agrega até nove câmeras e sensores nas lentes e na armação do próprio óculos. Isso vai permitir, por exemplo, o rastreamento mais eficaz da própria íris do usuário, possibilitando que a imagem acompanhe em tempo real qualquer movimentação do olhar.

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O mesmo ocorre com o áudio. A nova tecnologia permite que o som acompanhe a movimentação da cabeça do usuário para experiências mais imersivas.

Menos calor e trepidação

Esse conjunto de soluções, que mescla visão computacional, rastreamento de movimentos e conectividade 5G, permite que as informações captadas pelo usuário sejam transmitidas ao celular e processadas na nuvem (cloud computing). Por isso, esquentam menos e são menores. Foram feitos também ajustes na engenharia para reduzir a trepidação.

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— A ideia foi desenvolver um modelo capaz de fornecer conectividade e inteligência artificial em um novo formato — disse Hugo Swart, vice-presidente de gerenciamento de produtos de realidade virtual da Qualcomm, destacando que o processador ocupa 40% menos espaço no óculos e o consumo de energia é 50% menor em relação à geração anterior.

A Qualcomm anunciou novos óculos em parceria com fabricantes como Microsoft, Lenovo, LG, Xiaomi e TCL.

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Rubén Caballero, vice-presidente corporativo de Tecnologia da Microsoft, disse que vem trabalhando para desenvolver novas tecnologias que permitam o avanço das experiências virtuais:

— É importante ter uma plataforma aberta para criar um ecossistema e trabalhando em parceria com fabricantes como a Lenovo.

A Meta, dona do Facebook, também vem desenvolvendo novos óculos para os consumidores com foco justamente no acompanhamento ocular, segundo fontes. Recentemente, a companhia de Mark Zuckeberg lançou o Meta Quest Pro com preço sugerido de US$ 1,5 mil nos EUA.

A Apple também estaria estudando o lançamento de um óculos seu, segundo sites especializados.

Segundo Marcus Pinheiro, líder de indústria do Gartner para serviços de comunicação, os aparelhos de realidade virtual e aumentada habilitados para o 5G terão crescimento anual superior a 10% entre 2022 e 2025. Estima-se que em 2023 serão comercializados mais de 2,2 milhões de unidades. Mas ele destaca que há desafios no segmento:

— Os óculos continuam sendo um nicho muito focado em jogos. Há ainda a barreira de preço, já que as experiências são criadas em sua maioria para celulares e tablets. O ecossistema está evoluindo, mas ainda não está maduro. O principal desafio se relaciona ao conteúdo.

Pesquisa da Ericsson aponta que os usuários de 5G pretendem acelerar os gastos com novos serviços digitais que podem ser criados com o uso aplicativos de realidade virtual e aumentada, como assistir a shows musicais e esportivos. Em países como no Brasil, 54% dos usuários pretendem iniciar o uso de serviços de realidade virtual ou aumentada quando se tornarem assinantes de pacotes 5G.

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De olho no conteúdo, a Qualcomm anunciou também parceria com a Adobe, dona do Photoshop. A estratégia, disse Govind Balakrishnan, executivo da Creative Cloud, da Adobe , é permitir o desenvolvimento de “narrativas imersivas em óculos e dispositivos portáteis e permitir que os usuários finais visualizem e interajam com conteúdo imersivo”.

Já a Telefónica, dona da Vivo no Brasil, anunciou, por sua vez, que decidiu aderir à plataforma global de desenvolvedores, chamada Snapdragon Spaces, que conta com gigantes como Xiami, Motorola, T-Mobile e instituições de ensino dos EUA como a universidade de Duke e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).

A tele pretende usar a sua infraestrutura de rede fixa e móvel para testar soluções em parceria com startups. No Brasil, está sendo desenvolvido um laboratório.

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— Vamos ter uma nova dimensão para o mundo digital e real, permitindo que as pessoas se comuniquem, façam negócios, socializem e se divirtam de novas maneiras. Estamos nos preparando para esse futuro, construindo a infraestrutura, capacitando equipes e implementando serviços e parcerias — disse Daniel Hernández, vice-presidente de aparelhos e consumo da Telefónica.

Pesquisa da Ericsson aponta que os usuários de 5G pretendem acelerar os gastos com novos serviços digitais que podem ser criados com o uso aplicativos de realidade virtual e aumentada, como assistir a shows musicais e esportivos. Em países como no Brasil, 54% dos usuários pretendem iniciar o uso de serviços de realidade virtual ou aumentada quando se tornarem assinantes de pacotes 5G.

As novidades nos óculos de realidade virtual:

1. Tamanho menor Foi desenvolvida uma arquitetura específica para que o processamento seja feito na nuvem. Isso permitiu reduzir o tamanho interno em até 40% e com eficiência energética melhor, consumindo 50% menos, o que gera menor calor 2-Autenticação de íris O sistema conta com inteligência artificial que une até nove câmeras e diversos sensores para permitir o acompanhamento em tempo real dos movimentos dos olhos através da autenticação da íris 3. Áudio Especial A plataforma permite que o som se movimente junto com a cabeça do usuário. Com isso, há uma sensação de que a pessoa está sempre no centro do movimento, gerando melhores experiências em esporte e entretenimento 4-Conectividade Os óculos vão permitir a conexão com as chamadas ondas milimétricas do 5G. Essa frequência, já leiloada no Brasil, é considerada a principal para latência zero (tempo de carregamento) e experiência com carros conectados e medicina 5-Conexão dupla de Bluetooth O sistema permite que sejam criados dois canais de transmissão de dados: um para a informação trafegada em alta velocidade e outro que exige latência zero (tempo de carregamento). Isso vai ajudar em experiências imersivas.

*O repórter viajou a convite da Qualcomm