Óleo nas praias do Nordeste: toxicologista alerta para o consumo de frutos do mar

Redação Notícias
Turistas observam óleo na praia Sitio do Conde, na Bahia REUTERS/Adriano Machado
Turistas observam óleo na praia Sitio do Conde, na Bahia REUTERS/Adriano Machado

Com o avanço das manchas de óleo para o estado da Bahia, agora são mais de 150 praias afetadas em todo o Nordeste. A preocupação, que já é grande com relação à questão ambiental, torna-se ainda maior com relação à saúde humana. Os perigos extrapolam o contato agudo das pessoas com o petróleo e alcançam a ingestão de alimentos marinhos.

“Além dos problemas já conhecidos, como a irritação de pele e mucosas, que podem surgir após o contato com o mar contaminado, nesse momento, é necessária uma atenção especial com os alimentos como peixes e frutos do mar”, alerta o toxicologista e patologista clínico Alvaro Pulchinelli, professor da Disciplina de Clínica Médica e Medicina Laboratorial da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

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A presença da manchas de óleo no litoral nordestino foi notada no fim de agosto. A primeira localidade , segundo o relatório do Ibama, foi na Paraíba, na Praia Bela, em Pitimbu. A partir daí, a substância escura e pegajosa se espalhou por 150 praias de nove estados do Nordeste (Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe).

A Polícia Federal (PF), a Marinha e os órgãos ambientais do Brasil tentam agora esclarecer como o material chegou às águas territoriais brasileiras e poluiu trechos do litoral nordestino. De acordo com o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, entre as hipóteses estão um possível vazamento acidental em alguma embarcação ainda não identificada; um derramamento criminoso do material por motivos desconhecidos ou a eventual limpeza do porão de um navio.

Ao participar de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, na semana passada, o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, disse que análises laboratoriais confirmaram que a substância não provém da produção da estatal brasileira.

Especialista diz que mariscos devem ser evitados

O professor da Unifesp alerta que crustáceos bivalves, como mariscos e ostras, devem ser evitados, “pois são animais ‘filtradores’, ou seja, capturam seus alimentos pela passagem de água e podem, assim, acumular resíduos. De qualquer forma, como outros animais e peixes também sofrem potencial riscos de contaminação, o ideal é evitar o consumo enquanto perdurar o problema e as manchas não forem eliminadas.”

O consumo de alimentos contaminados vindos do mar podem causar gastroenterites caracterizadas por náuseas, vômitos e diarreias. Nesses casos, “é preciso buscar avaliação médica, uma vez que não há um tratamento específico, somente sintomático”, orienta Alvaro Pulchinelli.