Órgão do MPF quer investigar CBF, sedes e patrocinadores por realização da Copa América

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BRASÍLIA — A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), orgão do Ministério Público Federal (MPF), encaminhou nesta segunda-feira um ofício para que procuradorias da República de estados que vão sediar jogos da Copa América, além de São Paulo, investiguem “possíveis violações em direitos humanos” por parte de organizadores, transmissoras e patrocinadoras do evento.

A PFDC informou que o objetivo é “realização de uma ação coordenada voltada à investigação de eventuais práticas que violem, especialmente, os direitos à vida e à saúde” por conta da realização do campeonato em meio à pandemia de Covid-19, que começa no próximo domingo.

Em comunicado, o procurador federal dos direitos do Cidadão, Carlos Alberto Vilhena, quer que a unidade do MPF no Rio de Janeiro apure atos praticados pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), pela Conmebol, por empresas patrocinadoras do evento e pelos governos estadual e municipal.

A abertura formal da investigaçao depende de decisão dos procuradores federais nos estados.

Em São Paulo, a proposta é que as investigações se iniciem pelas emissoras de televisão e respectivas patrocinadoras das transmissões. Ao MPF no Distrito Federal, sugere-se a apuração em relação aos atos praticados pelos governos federal e distrital.

O pedido de investigação também é dirigido aos estados de Goiás e Mato Grosso. O documento produzido da PFDC destacou a decretação de situação de calamidade no Brasil, em decorrência da pandemia da Covid-19, e que há possibilidade de transmissão de vírus entre pessoas.

A estimativa feita pelo MPF é que, pelo menos, 585 pessoas de diferentes países vão circular pelo Brasil entre equipe técnica, funcionários dos estádios, seguranças, jornalistas e torcedores, podendo haver intercâmbio de novas variantes de Covid-19. O documento lembrou que as cidades sedes têm mais de 80% de ocupação de leitos de UTI devido ao agravamento da pandemia.

Na semana passada, o presidente Jair Bolsonaro e integrantes do governo se empenharam para garantir a realização do campeonato no Brasil, após as desistências das sedes originais Colômbia (por protestos no país) e Argentina (pelo agravamento da crise sanitária).