Ômicron: Casos em crianças de 5 a 11 anos aumentam 10 vezes em um mês no Rio

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RIO — Com a chegada da variante Ômicron os casos de crianças entre 5 a 11 anos também explodiu e cresceu mais de dez vezes nos primeiros dias de 2022. Somente na cidade do Rio, desde o início do ano até o dia 13 de janeiro foram confirmados 1.868 casos nesta faixa etária. Em todo o mês de dezembro foram apenas 175 infectados.

Após semanas de espera, as doses pediátricas da vacina contra a Covid-19 já estão no Rio e os municípios devem começar a aplicá-las nas crianças já a partir da próxima segunda-feira. Nesta sexta-feira, Yva Mirim Sophia Nunes da Silva Oliveira, de 8 anos, foi a primeira criança a ser vacinada contra a Covid-19 no estado do Rio. A primeira remessa destinada ao Rio tem apenas 93.490 doses e serão distribuídas aos 92 municípios. Na capital, a prefeitura prevê que o estoque dure até quarta-feira, quando está prevista a repescagem para meninos e meninas de 11 anos.

E desde o início da pandemia, 23 crianças de 5 a 11 anos morreram em decorrência da Covid-19 no estado e 705 foram internadas para tratar a doença.

Dados compilados pelo GLOBO no Tabnet do governo estadual mostram ainda que dentro desta faixa etária, 250 tiveram que enfrentar uma internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Os números também mostram as crianças de 9 anos foram, na faixa etária, a que mais permaneceram em um CTI, com uma média de 47 dias na terapia intensiva. A quantidade é superior a média de 18,4 dias de internação entre todas as idades.

A médica Cláudia Nastari, diretora geral do Hospital municipal Jesus, referência em pediatria em todo o estado, lembra com carinho da recuperação do menino Matheus Oliveira que no fim de 2020, quando tinha 8 anos, ficou 87 dias internados na UTI, a maioria intubado após ter 70% do pulmão comprometido pelo coronavírus. Nastari ainda diz que além da internação provocada pelo vírus ela se preocupa com as crianças que desenvolvem sequelas, a chamada e ainda estudada Covid longa:

— Ter uma criança internada em uma UTI é sempre um complicador. Temos também muita preocupação com aquelas que tem alguma comorbidade controlada e a Covid-19 atua como um “gatilho” para a doença. Sabemos que não há um remédio curativo, então temos que tentar diminuir os estragos que a doença causa A recuperação de uma criança que teve uma doença grave é mais complexa porque precisa de sua participação ativa — explica.

Para a pediatra, que teve sob seus cuidados diversas crianças que tiveram complicações causadas pela Covid, a vacina é um alento também para quem trata as crianças e veem seus dramas e o sofrimento das famílias:

— Queremos que essas elas retornem com segurança a uma vida mais normal. É muito sofrimento para nós que conduzimos os casos e vemos como os familiares ficam também. Os pais que ainda estão relutantes para vacinar seus filhos precisam identificar onde está seu medo e procurar informações confiáveis sobre os temas. Elas tiveram até um tempo maior de estudo para as questões de segurança, por exemplo — destaca Nastari.

Na cidade do Rio a vacianção para crianças começará na segunda-feira para meninas de 11 anos. Na terça-feira será a vez dos meninos e na quarta-feria a repescagem para esse público. Crianças com alguma comorbidade e deficiência de 5 a 11 anos podem iniciar a imunização a qualquer momento.

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