Ômicron: Rio volta a superar dois mil casos de Covid diários após quatro meses

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RIO — Pela primeira vez nos últimos quatro meses a cidade do Rio registra mais de dois mil casos de Covid-19 em um único dia. O painel da prefeitura do Rio mostra que, no 1º de janeiro, 2.075 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Em uma semana, do Natal para o réveillon, a alta foi de 657%. Se considerar o período de 20 dias, a escalada foi de 10.821%.

Esse número de 2.075 se refere ao total de pacientes que relataram ter começado a sentir os sintomas da infecção no dia 1º e ainda deve subir, já que novos casos atendidos nos próximos dias ainda podem ser inseridos no sistema. Nesta quinta-feira, por exemplo, o GLOBO publicou que os dados inseridos até quarta-feira representavam uma alta de 6.778% em 20 dias. Mas com a atualização dos números, o crescimento é ainda maior.

A crescente nos casos ascende um alerta. Os dados mostram que o número e casos diários também já ultrapassou a marca de dois mil no dia 2 de janeiro. Desde o dia 20 de agosto de 2021 não havia mais de 2 mil casos confirmados em um único dia e, desde o meio de agosto, não havia dois dias consecutivos com dois mil casos ou mais.

O avanço da doença se reflete na taxa de positividade dos testes para diagnosticar a Covid-19, que subiu de 13% na última semana do ano para 43% nos primeiros dias de 2021 Esse é um dos indicadores que apontam que a curva de contágio deve subir ainda mais. O dado inclui testes realizados nas redes pública e privada. Somente em unidades da prefeitura, a positividade foi de 17% nesta quarta-feira. O grande volume de pessoas que estão fazendo os exames tem atrasado a inclusão dos resultados nos sistemas.

O aumento abrupto de casos ainda não é acompanhado pelas internações. Esta quinta-feira 33 pessoas estavam internadas na rede pública do Rio. Numero superior ao do Natal, por exemplo, quando 12 estavam hospitalizados.

Em 2021, o Rio viveu três ondas da doença na cidade, que coincidiram com a chegada de variantes do coronavírus. Especialistas avaliam que, com a entrada da Ômicron na cidade, a tendência é que o processo se repita.

Diego Xavier, epidemiologista e pesquisador do Monitora Covid-19, da Fiocruz, observa que as experiências de outros países com cobertura vacinal parecida com as daqui mostram que o número de casos deve subir. Segundo ele, é preocupante o fato de ter tantas pessoas viajando nas férias de janeiro:

— Tudo está indicando que teremos um “susto”, mas temos uma atenuante que é a vacina. O lado bom é que não temos acompanhado um aumento de óbitos e casos graves, o que acontecia em outras ondas da doença, e isso só pode ser efeito da imunização.

Em todo o estado, 312 casos já tiveram resultados de triagem positivos para a Ômicron e são alvo de análise genética por laboratórios, como o da Fiocruz. Se esses casos forem confirmados, a Ômicron já terá se tornado a cepa predominante no Rio.

— Estamos vendo perto da gente o aumento de casos. Vínhamos com 17 semanas de redução e, de repente, a gente começa a ter um aumento muito rápido. É claro o indicativo de uma nova variante. Felizmente, não tem gerado casos graves, óbitos e internações — disse o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, em transmissão on-line anteontem.

Gulnar Azevedo, professora de epidemiologia da Uerj e presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), destaca que o bloqueio vacinal tem se mostrado efetivo contra a variante até o momento:

— Não estamos conseguindo testar suficientemente para identificar o quanto a Ômicron é a responsável pelos casos. Mas há grande chance de ser. Importante lembrar, no entanto, que o aumento dos casos, independentemente de qual variante, tem a ver com as festas de fim de ano. O relaxamento no uso de máscaras e as aglomerações, mesmo que entre famílias, aumentarão, sem dúvida, a circulação do vírus.

Com o avanço na vacinação, os casos de Covid-19 na cidade vinham em queda desde o fim de agosto. Em dezembro, apesar da epidemia de gripe, o Rio teve os menores índices de novos casos e óbitos por coronavírus desde o início da pandemia, em março de 2020. Foram esses indicadores que embasaram a decisão dos comitês científicos da prefeitura do Rio e do governo estadual para liberar queimas de fogos em Copacabana e outros pontos da cidade.

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