Ônibus são queimados no Rio após ação da polícia; ordem partiu de presos, diz secretário

Por Rodrigo Viga Gaier
Bombeiros apagam chamas de caminhão queimado perto da Cidade Alta, no Rio de Janeiro. 02/05/2017 REUTERS/Ricardo Moraes

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Ao menos nove ônibus e dois caminhões foram incendiados em vias importantes do Rio de Janeiro nesta terça-feira, quando também houve saques e tentativas de bloqueio de ruas, em uma ação orquestrada por presos de uma facção criminosa que estão detidos fora do Estado, de acordo com o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá.

A Polícia Militar informou que dois supostos criminosos morreram, 45 pessoas foram presas e 32 fuzis foram apreendidos, além de pistolas e granadas, durante uma operação na comunidade da Cidade Alta, em Cordovil, zona norte da cidade, que teria provocado a reação com ônibus queimados.

Três policiais ficaram feridos sem gravidade, segundo a PM, que acrescentou que não houve feridos nos ataques aos veículos.

“A polícia evitou um banho de sangue e não podemos achar trivial a apreensão de 32 fuzis. Queimar ônibus, saques e fechar vias não é uma estratégia nova”, disse jornalistas o secretário de Segurança.

Os ônibus foram incendiados na Avenida Brasil, na Rodovia Washington Luís e nos bairros da Penha, Cordovil e Bonsucesso. A ação interditou parcialmente as vias, e o trânsito ficou bastante congestionado na região da Baixada Fluminense.

Segundo testemunhas, os incêndios foram provocados por homens mascarados e em motos, depois de intensos tiroteios entre supostos traficantes rivais registrados desde a madrugada na região.

A Prefeitura do Rio decretou estágio de atenção por causa dos ataques a ônibus, e cerca de 3 mil alunos ficaram sem aula na Cidade Alta.

No período da tarde, houve novas tentativas de bloqueio de vias e saques na Avenida Brasil que foram repreendidos pela polícia.

Roberto Sá defendeu uma ampla discussão na sociedade para que haja uma punição maior aos portadores e pessoas que comercializam armas. “A pena para alguém que porta fuzil na cidade é ridícula e irrisória. A pena para incêndio é 3 a 6 anos, também ridícula. A sociedade com valores e propósitos tem que impor a noção da punição e outros poderes têm que dar instrumentos para a polícia”, disse ele.

“Já passou da hora de o Brasil rever a legislação criminal, rever presídios e benefícios para quem comete crime tão grave”, acrescentou.

Questionado sobre uma possível ajuda das Forças Armadas, o secretário de Segurança, que reclamou das dificuldades enfrentadas pela polícia fluminense como atraso de salários e efetivo insuficiente, disse que qualquer ajuda seria bem-vinda, mas as Forças Armadas não são a solução do problema da violência no Rio de Janeiro.

“Toda ajuda federal é bem-vinda num momento de escassez de recurso ... Minha visão é que o buraco é mais embaixo. Precisamos de solucões estruturantes e não paliativos”, avaliou.

O Estado vive a maior crise econômica da história, se encontra desde o ano passado em calamidade financeira e vem pagando com atraso o salário dos servidores. Os casos de bala perdida, mortes de policiais e agentes de segurança, conflitos em UPPs e homicídios explodiram desde o início da crise econômica.

“Admitimos que o crime no Rio e no Brasil tem incomodado muito as pessoas, nos tiram o sono, vontade de comer e quero provocar a reflexão: temos que chamar atenção para o grau de violência e a legislação aplicada”, finalizou Sá.