Último comício de campanha de Trump encerra um capítulo nos EUA

Ivan COURONNE
·3 minuto de leitura
Último comício de campanha do presidente americano, Donald Trump, em Grand Rapids, Michigan, em 2 de novembro de 2020
Último comício de campanha do presidente americano, Donald Trump, em Grand Rapids, Michigan, em 2 de novembro de 2020

Quatro minutos antes da meia-noite, adulado por milhares de simpatizantes sob uma lua praticamente cheia, Donald Trump subiu ao palco na segunda-feira à noite (2) para seu último comício de campanha, o 17º em quatro dias, e talvez o último de sua vida política.

"Vamos ganhar mais quatro anos nesta bela Casa Branca. Há quatro anos fizemos história juntos, e amanhã faremos mais uma vez", lançou o 45º presidente dos Estados Unidos, diante de um mar de bonés vermelhos e amarelos, e de idosos envolvidos em bandeiras nacionais. Alguns deles esperavam pelo presidente desde cedo.

Por uma superstição, já conhecida, Trump escolheu Grand Rapids, a cidade industrial de Michigan, para o final da campanha. Foi neste local que ele encerrou sua campanha há exatos quatro anos, também à noite. Este foi um dos estados que o levaram à Casa Branca.

Desta vez, o local escolhido, por força da pandemia da covid-19, foi ao ar livre, perto de um hangar de aeroporto. Uma minoria que cobriu o rosto usava máscaras "Trump".

Para seu último "show", o presidente não previu um discurso especial. 

Os grandes clássicos estavam lá: seu equilíbrio na economia, o petróleo, o Exército, até mesmo a ladainha contra a pandemia, por cujas mortes ele ainda não disse uma palavra de compaixão. Ele lembrou que, há um mês, ficou muito doente de covid-19, descartando o episódio com um "Estou aqui, certo?".

Também não faltaram os ataques a Joe Biden, a seu filho Hunter e a sua candidata a vice-presidente Kamala Harris, a quem ele simplesmente chama de Kamala, articulando cada sílaba para acentuar o exotismo de seu nome. E, entre as previsões de uma vitória esmagadora nas urnas nesta terça-feira, ele soltou algumas frases de agradecimento, quase de ternura.

- "Perder para um cara desses" -

Aos filhos: "Aconteça o que acontecer amanhã, estou muito orgulhoso de vocês. Mas, se não vencermos, nunca mais falarei com vocês".

A seus apoiadores: "Quero muito agradecer a vocês do fundo do coração".

E eles reagiam de volta, cantando, com frequência, "Nós amamos você!".

"Também amo vocês. É muito gentil", respondeu Trump, divertindo-se com a ideia de que nenhuma multidão jamais gritou algo assim para Ronald Reagan. 

Como um reflexo do mandato de quatro anos, seu último discurso foi uma versão mais dura e amarga do que a de 2016.

À época, ele tratava a candidata democrata Hillary Clinton como corrupta e, como fez em 2016, prometeu drenar o pântano da capital federal. Para seu novo adversário, Joe Biden, o ataque foi mais pessoal: voltou a insinuar que está senil e riu enquanto o telão reproduzia uma montagem do democrata falando e cometendo erros.

"Ele tem metade da inteligência que tinha há 20 anos", insistiu Trump.

"A simples ideia de perder para esse cara [...] É melhor vocês votarem amanhã", convocou. 

Depois de uma 1h15 minutos no palco, Donald Trump prometeu, uma última vez, tornar a América "grande de novo" e dançou alguns passos tradicionais do "YMCA", antes de embarcar no Air Force One, rumo a Washington.

O que seus apoiadores acham que o bilionário fará em caso de derrota?

"Que aproveite a vida!", responde Noah Abdelkader, de 15 anos.

Muitos pareciam surpresos com a pergunta. O corretor de imóveis Brad Boone, de 50 anos, teve uma resposta que, para sua esposa, foi certeira: "Espero que seja candidato em 2024".

ico/at/bc/es/tt