Último paulista campeão no Maracanã, Santo André ganha livro e vira inspiração para Palmeiras e Santos

Marcello Neves
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Palmeiras e Santos se enfrentarão na final da Libertadores, neste sábado, às 17h (de Brasília), no Maracanã. Em busca do título, tanto a equipe de Cuca quanto a de Abel Ferreira podem se inspirar em antigos campeões no estádio. Mas esqueça a máquina de Pelé ou o Corinthians campeão, o último paulista a erguer uma taça no estádio foi o Santo André, que ganhará um livro da conquista da Copa do Brasil de 2004 escrito pelo jornalista Vladimir Bianchini.

Dezessete anos após a conquista, o repórter da ESPN Brasil — que assumidamente torce para a equipe do interior — prepara o lançamento de "Eles calaram o Maracanã", que conta a trajetória do clube desde a formação da equipe, em 2003, até o título no ano seguinte. O livro está para ser lançado no fim de março e a pré-venda está por R$ 40. Se a pessoa quiser ser um apoiador, a taxa é de R$ 100. Vencer no estádio é a principal relação com a final da Libertadores, segundo o autor.

— Ganhar no Maracanã tornou a conquista muito especial. Diante do Flamengo também, por ser a maior torcida do Brasil. Se fosse de outra forma, acho que o impacto teria sido menor. O Santo André não enfrentou 70 mil pessoas e tudo isso deu um impacto maior. Foi maior, por exemplo, do que o Paulista ganhando do Fluminense porque a decisão foi em São Januário — conta Vladimir, autor do livro que até o momento não tem patrocínio.

O processo para produção foi de quatro anos. Teve idas e vindas, pausas devido ao falecimento de um amigo e outra devido à pandemia da Covid-19. Vladimir percebeu que o Santo André só tinha um livro, que relata a primeira conquista de sua história, mas nenum sobre a Copa do Brasil. Indagado por amigos, tomou a iniciativa com um recado: "se você não fizer, ninguém vai fazer?".

— O primeiro capítulo foi a historia do Alex. Ele é reprovado em vários times, mas passa na Inter de Bebedouro, da 3ª divisão do Paulista. Até que um diretor do Santo André liga atrás de um goleiro. O Alex atendeu e viu a chance de vida dele: fingiu que era dirigente da Inter e perguntou se não estavam precisando de um zagueiro. Convenceu com o diretor, pediu para o dirigente do clube confirmar depois e conseguiu um teste. Ele era o quinto zagueiro, mas várias coisas absurdas acontecem: um machuca, outro vai embora, aí ele vira titular e beomba — relata.

Vladimir também destaca outras duas histórias: a do atacante Osmar e a do meio-campista Tácio, que foram decisivos para o título da Copa do Brasil.

— Tem a história do Osmar, que depois do Santo André foi para o Palmeiras. Ele morava no interior, na roça, chegou uma hora que desistiu de ser jogador de futebol. Ele trabalhava em uma fábrica de caixão, mas resolveu ser peão de boiadeiro. Mas quebra o braço e o pai fala para ele desencanar. Ele resolve voltar a jogar bola e chega no Santo André com indicação do presidente do União. Ele não tinha nem carro, foi de ônibus de linha e mochila nas costas. Chegou no clube e zoaram: "esse é o novo atacante do nosso time?" Aí ele faz contra o Palmeiras, contra o XV, foi extramemente decisivo na Copa do Brasil — conta.

— Tácio faz o gol da classificação contra o Palmeiras. Ele era considerado um jogador muito talentoso, mas não gostava de treinar, gostava de sair a noite. Ele era torcedor do Palmeiras na infância. O amigo dele sempre dizia que ele iria eliminar o Palmeiras. Dois, três anos antes, esse amigo foi assassinado. Quando ele faz o gol [da classificação diante do Palmeiras], começa a chorar desesperadamente e as pessoas não entenderam. Não era para o Tácio estar naquele jogo porque ele estava afastado por passar o carnaval no Rio. Quando os caras avançaram de fase da Copa do Brasil, ele pediu para voltar.