Nítida vitória dos conservadores de Merkel nas regionais da Alemanha

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A chanceler alemã Angela Merkel e Armin Laschet, novo chefe de seu partido

Os conservadores alemães conseguiram uma nítida vitória frente a extrema-direita nas eleições regionais de Saxônia-Anhalt neste domingo (6), um feito que deve confortar o líder do partido e candidato a substituir Angela Merkel em setembro.

De acordo com a contagem parcial, a União Democrática Cristã (CDU) obteve 36% dos votos, contra 22,5% para os ultradireitistas da Alternativa para a Alemanha (AfD).

"Este é um resultado sensacional", anunciou com prazer o secretário-geral da CDU, Paul Ziemiak, dando crédito especialmente ao chefe do governo local, o conservador Reiner Haseloff.

"Estou feliz", declarou o último.

"O povo votou contra a AfD (...) lutamos juntos, isso também é uma mensagem para Berlim", alertou.

- Boa notícia para Laschet -

A vitória é uma notícia muito boa para Armin Laschet, o impopular líder da CDU e aspirante a substituto de Angela Merkel após as eleições legislativas de 26 de setembro.

O dirigente da CDU, criticado até entre os colegas de partido, precisava de um sucesso eleitoral para consolidar a posição dos conservadores, que, após terem ficado atrás dos Verdes nas intenções de voto em nível nacional, voltam a liderar as pesquisas.

A maioria das pesquisas apontava para uma vitória da CDU, mas também apontava que a AfD, grupo anti-imigração que é a segunda força política regional desde 2016, ainda era uma ameaça.

Uma pesquisa previa que a extrema-direita venceria as eleições deste domingo.

Desde que Laschet assumiu as rédeas da CDU, em janeiro, o maior partido alemão vive uma crise de confiança por causa das falhas na gestão governamental durante a terceira onda da epidemia do novo coronavírus, assim como pelos escândalos de corrupção de seus deputados nos contratos de compra de máscaras.

A CDU, que já sofreu dois reveses graves em duas eleições regionais, também enfrentou uma grande luta interna: a candidatura de Laschet foi questionada pelo líder do partido bávaro CSU, Markus Soder, considerado mais apto para liderar os conservadores.

Laschet acabou vencendo, mas ainda é pouco querido no país.

- Um governo sem a AfD -

A AfD retrocedeu levemente nas eleições deste domingo, mas continua a ser a segunda força política na região.

Porém Reiner Haseloff, cujo partido conquistou 30% dos votos na última eleição, claramente descartou a possibilidade de se aliar à extrema-direita, apesar de alguns integrantes de seu partido terem flertado com essa ideia nos últimos anos.

Desde 2016, Haseloff liderou uma coalizão sem precedentes com os Verdes e os Social-democratas do SPD que agora poderia considerar renovar. Os ambientalistas avançaram ligeiramente neste domingo, obtendo 6,5% dos votos, enquanto o SPD perdeu apoio.

Ele também pode cogitar outra configuração com os liberais do FDP, que, segundo as pesquisas, voltam ao parlamento regional.

A Saxônia-Anhalt, uma 'land' fortemente atingida pelo êxodo de seus habitantes desde a reunificação em 1990, é um terreno fértil para a AfD, que construiu seu sucesso alimentando temores sobre o fluxo de migrantes para a Alemanha em 2015, e que acusa o governo central governo de esquecer as regiões da ex-RDA.

Em 2017, a extrema-direita conquistou uma entrada espetacular no Bundestag, o parlamento nacional, e se tornou a primeira força de oposição, obtendo 12,6% dos votos.

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