Últimos 8 anos foram os mais quentes já registrados

LISBOA, PORTUGAL (FOLHAPRESS) - Marcado por uma série de eventos climáticos extremos em vários pontos do globo, 2022 foi o quinto ano mais quente já registrado na série histórica do programa de monitoramento de aquecimento global Copernicus, da Comissão Europeia.

Os dados do serviço europeu indicam que os oito anos mais quentes já documentados aconteceram de 2014 para cá. A margem de diferença entre os recordistas, inclusive, está cada vez mais apertada. Até agora, o ranking é liderado por 2016, seguido respectivamente de 2020, 2019 e 2017.

As temperaturas no ano passado foram 1,2°C mais altas do que no período entre 1850-1900. Com isso, 2022 foi o oitavo ano consecutivo em que os termômetros marcaram pelo menos 1°C acima do nível pré-industrial.

O resultado acontece mesmo com a ocorrência, pelo terceiro ano consecutivo, do fenômeno La Niña, tipicamente relacionado a temperaturas mais baixas, durante boa parte do ano.

Houve, no entanto, variações regionais importantes, com regiões particularmente afetadas. Ambas as regiões polares tiveram episódios de recorde de temperatura. Na península Antártica e em partes da Sibéria, por exemplo, as temperaturas de 2022 foram mais de 2°C acima da média registrada entre 1991 e 2020.

Os termômetros também dispararam na Europa, que teve em 2022 o seu verão mais quente já registrado. Em termos gerais, o ano acabou ainda como o segundo mais quente da série histórica no velho continente.

Intimamente relacionados ao aquecimento global, os eventos climáticos extremos também foram abundantes no último ano.

No norte da Índia e no Paquistão, as temperaturas extremamente altas na época pré-monção contribuíram para ondas de calor prolongadas. O território paquistanês enfrentou ainda chuvas torrenciais que deixaram um rastro de destruição material e de vidas humanas.

Na Austrália foram registrados períodos excepcionalmente úmidos e com temperaturas abaixo da média em vários pontos do território. O país teve ainda várias inundações, em uma situação "tipicamente associada a condições persistentes do fenômeno La Niña e provavelmente acentuada por solos saturados", destacam os pesquisadores.

Na Europa, o recorde de temperaturas no verão, combinado à redução das chuvas, trouxe seca intensa para vários países, sobretudo no sul e no centro do continente.

Além dos efeitos na produção agrícola e em várias atividades econômicas, as condições ambientais favoreceram a ocorrência de grandes incêndios florestais. Países como Portugal, Espanha e França documentaram diversos fogos nas florestas, que contribuíram também para o aumento de emissões e para a degradação da qualidade do ar.

"O ano de 2022 foi mais um ano de extremos climáticos na Europa e no mundo. Esses eventos destacam que já estamos experimentando as consequências devastadoras do nosso mundo em aquecimento", diz Samantha Burgess, vice-diretora do Serviço de Aquecimento Global Copernicus.

Segundo a cientista, o relatório agora publicado fornece evidências claras de que "para que evitar as piores consequências, será exigido que a sociedade reduza urgentemente as emissões de carbono e se adapte rapidamente às mudanças climáticas".

O relatório europeu indica, por outro lado, que as emissões de gases causadores de efeito estufa seguiram em alta em 2022. O ano acabou com a concentração mais elevada de metano e de dióxido de carbono já registrada pelos dados da Copernicus.

Segundo a entidade, se forem considerados outros trabalhos e fontes de informação científica, as concentrações de dióxido de carbono foram as mais elevadas em mais de 2 milhões de anos, enquanto as de metano foram as mais altas em 800 mil.

"Os gases de efeito estufa, incluindo dióxido de carbono e metano, são os principais causadores das mudanças climáticas, e podemos ver em nossas atividades de monitoramento que as concentrações atmosféricas continuam aumentando sem sinais de desaceleração", afirma o diretor do serviço de monitoramento do Copernicus, Vincent-Henri Peuch.

Até o fim do mês, diversas entidades, incluindo centros meteorológicos regionais, universidades e a Nasa (agência espacial americana), também divulgarão seus dados sobre temperaturas e emissões em 2022. A expectativa é de que os dados alarmantes se repitam em vários pontos do globo.