‘Atlas Político’ é uma arma para a população brasileira, diz fundador do projeto

Brunna Castro
Mapa que apresenta o posicionamento dos deputados. (Foto: Reprodução/Atlas Político)

O Brasil ganhou, no mês de setembro, um novo projeto que busca oferecer informações sobre os políticos do país e ajudar os cidadãos a fazerem escolhas mais conscientes em anos eleitorais. Nomeado de Atlas Político, o site apresenta um ranking com todo os deputados e outro com os senadores, nos quais o desempenho de cada político é analisado com base em 5 critérios: representatividade, campanha responsável, ativismo legislativo, fidelidade partidária e debate parlamentar. É possível entender como foram feitos todos os cálculos que levaram à pontuação de cada político no próprio site, de forma bastante didática.

O projeto também disponibiliza um mapa do Congresso, no qual é possível ver onde se encontra cada deputado ou senador de acordo com os posicionamentos políticos de direita e esquerda e também favoráveis ou em oposição ao governo. Idealizado por Andrei Roman, PhD em Ciência Política pela Universidade de Harvard, Thiago Costa, PhD em Matemática Aplicada também por Harvard, e pela empresa Nervera, o projeto foi iniciado em junho de 2014, mas a primeira versão foi lançada somente no mês de setembro.

Em conversa com o Yahoo Brasil, Andrei Roman explica de onde surgiu a ideia de lançar um projeto como esse no país. “Foi exatamente durante as manifestações de junho de 2013 que eu tive a ideia de fazer esse projeto. Também participei de algumas manifestações, eu estava em São Paulo quando elas aconteceram”, conta o cientista político.



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A partir da crise de representação evidenciada no ano passado, Roman pensou que poderia oferecer algo que solucionasse o problema da representação democrática. “Se a gente conseguisse de alguma forma focar nesse problema, conseguiríamos propor um caminho de mudanças pela frente e ter uma coisa mais pragmática que poderia atender a todas aquelas demandas [das manifestações]. E é mais ou menos isso que o Atlas Político tenta fazer”, explica.

Roman lembra que muitas pessoas no país “não conhecem os seus representantes de fato e votam para partidos diferentes”, além de que o voto é uma decisão bastante aleatória no país. “Por isso que os políticos podem mudar de partido 7, 8 vezes e ninguém pune eles. As pessoas continuam elegendo-os e eles continuam no Congresso”. Ele também alerta para muitas insatisfações que foram direcionadas aos partidos brasileiros em junho de 2013. “O descontentamento com um tipo de representação partidária, a ideia de que os partidos não prestam então não precisamos de partido, eu acho que tudo isso é uma coisa bastante perigosa para a democracia. Até agora, que eu saiba, não existe nenhuma democracia que funciona sem partidos, que funciona sem Congresso, sem representação democrática”, explica.

Com todas essas questões em mente, Roman acreditou que o Brasil carecia de iniciativas como a dele. “O Atlas é uma arma que a população tem para tornar todas aquelas demandas mais pragmáticas. Você vai escolher um político que você realmente sabe que vai ter a capacidade, a responsabilidade e a coerência para seguir os posicionamentos relacionados àquelas demandas”. Dessa forma,  o projeto pode mostrar aos eleitores quais são os políticos mais competentes que podem assumir um compromisso com um interesse específico dos cidadãos.

De nacionalidade romena, Andrei Roman estuda a política brasileira desde 2006. “O Brasil é um dos meus principais focos de pesquisa. Uma coisa muito interessante na política brasileira é exatamente essa falta de estrutura, e eu acho que isso deixa muitos cientistas políticos bastante confusos”, conta. “Você pode ter uma coligação com partidos de esquerda e de direita. Durante as eleições, a gente vê bastante isso. No Rio de Janeiro, por exemplo, tem um candidato a governador que tem um palanque para um candidato à Presidência e tem também um outro palanque para outro candidato à Presidência [risos]”, explica.

O cientista político também explica que não existe um projeto semelhante a esse em nenhum outro lugar do mundo. “O que a gente está fazendo é uma coisa inovadora num nível geral, não somente no caso brasileiro. Não existe uma coisa parecida nos Estados Unidos ou na Europa”, conta. “Acho que, de alguma forma, esse projeto é mais relevante para o Brasil do que seria em outros lugares exatamente pela distância  que existe entre os cidadãos e os políticos”.

A princípio, o Atlas Político recebeu um financiameno da Fundação Lemann, mas agora conta com doações para seguir adiante. No site, é possível encontrar uma seção que permite que as pessoas enviem dinheiro para o projeto. “Queremos transformar o Atlas em uma coisa cada vez maior. Vamos captar mais recursos e esperamos que as pessoas que apreciem a necessidade do site e a utilidade que ele traz para a política brasileira contribuam com uma quantia que acharem adequada”, conclui.