1 em cada 4 brasileiros diz que falta comida na mesa, diz Datafolha

Comida na mesa: os mais afetados são os lares mais pobres: entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos (R$ 2.424), a insegurança alimentar é de 38%. Foto: Getty Images.
Comida na mesa: os mais afetados são os lares mais pobres: entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos (R$ 2.424), a insegurança alimentar é de 38%. Foto: Getty Images.
  • Brasileiros sem comida: realidade é mais presente entre moradores do Nordeste (32%) e Norte (30%);

  • Os mais afetados são os lares mais pobres: entre os que têm renda familiar de até 2 salários mínimos, a insegurança alimentar é de 38%;

  • 39% dos brasileiros estão desempregados há mais de dois anos.

Uma pesquisa do Datafolha mostrou que 1 em cada 4 brasileiros avalia que a quantidade de comida disponível em casa era inferior ao necessário para alimentar a família. Mesmo com a desaceleração da inflação, o preço da cesta básica subiu 27%, segundo estudo da PUCPR. Os mais afetados são os lares mais pobres: entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos (R$ 2.424), a insegurança alimentar é de 38%.

Ao analisar por região brasileira, a pesquisa revela que a quantidade insuficiente de comida é mais presente entre moradores do Nordeste (32%) e Norte (30%); no Centro-Oeste, afeta 24% da população, na frente das regiões Sul (24%) e Sudeste (22%).

A pesquisa foi feita na última semana, para 26% dos entrevistados, a comida disponível nos últimos meses era abaixo do suficiente, enquanto 62% julgaram ser suficiente e apenas 12% diziam acreditar ser mais do que o suficiente.

O Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil já havia registrado que 33 milhões de pessoas passam fome no país.

Desemprego é maior no Norte

A informalidade é uma situação crescente na saída do pior momento da pandemia. Dos brasileiros que trabalham e não têm carteira assinada, 65% já trabalharam com carteira e 32% nunca trabalharam registrados.

Do total dos entrevistados, 37% têm algum desempregado em casa (incluindo o próprio entrevistado) e 49% dos que estão nessa situação têm renda familiar de até dois salários mínimos por mês.

Também preocupa o tempo em que muitos desses trabalhadores estão fora do mercado de trabalho. Dos entrevistados pelo Datafolha que estavam desempregados, 39% estavam nessa situação há mais de dois anos, 29% há no máximo seis meses, 18% há mais de um ano e menos de dois anos e 12% de 6 a 12 meses.

Neste caso, as diferenças regionais também pesam: o desemprego de mais de dois anos é um problema maior no Norte (45%), Nordeste (41%) e Sudeste (41%) na comparação com Sul (24%) e Centro-Oeste (28%).

Dos que avaliam o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) como ruim ou péssimo, 42% disseram estar desempregados há mais de dois anos, 29% até seis meses, 18% de um a dois anos e 10% entre seis meses e um ano.

Ter um desempregado um casa varia segundo a intenção de voto para presidente: 29% dos eleitores de Bolsonaro têm um desempregado em casa (incluindo o próprio entrevistado). Já entre os que pretendem votar no ex-presidente Lula (PT), 42% moram com alguém que está sem ocupação.

Entre os eleitores do petista, que lidera as intenções de voto para a Presidência, 63% não têm ninguém com carteira assinada em suas casas (incluindo o próprio entrevistado) ante 58% dos que preferem Bolsonaro.

Dos entrevistados pelo Datafolha, 22% diziam ter recebido o Auxílio Brasil em junho —um patamar semelhante ao que o instituto havia captado em maio (21%) e março (23%) passados.

​Dos entrevistados com até o ensino fundamental, 31% se disseram beneficiários do programa; entre os que têm renda familiar de até dois salários mínimos, 34% estavam no programa.

Dos eleitores de Lula, 28% recebem o Auxílio Brasil e 17% dos de Bolsonaro. O Nordeste, região em que o presidente Bolsonaro luta para conquistar mais eleitores, é o local do país em que mais pessoas são beneficiadas pelo mecanismo de transferência de renda (35%).

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