10 atores que foram acusados de "embranquecer" personagens

Rafael Monteiro
·5 minuto de leitura
Gal Gadot, Ben Kingsley e Scarlett Johansson: símbolos de uma prática preconceituosa de Hollywood (reprodução)
Gal Gadot, Ben Kingsley e Scarlett Johansson: símbolos de uma prática preconceituosa de Hollywood (reprodução)

O "whitewashing" virou um dos termos mais polêmicos do cinema nos últimos anos. De origem inglesa, a palavra ajuda a explicar como os estúdios de Hollywood enxergam outras partes do mundo.

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O termo diz respeito à escalação de atores brancos em papéis de outras etnias. Quando o problema aparece, geralmente o branco surge como herói e salvador da história, mesmo em outras culturas ou países.

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A discussão voltou à tona nas últimas semanas por causa do novo filme sobre a rainha Cleópatra, última governante ativa do Reino Ptolemaico do Egito e uma das personagens históricas mais importantes do mundo antes de Cristo.

Confira os casos de whitewashing mais marcantes do cinema de Hollywood.

Gal Gadot

A atriz de Mulher-Maravilha despertou a discussão sobre embranquecimento em Hollywood ao ser anunciada como nova intérprete de Cléopatra. De acordo com pesquisadores do Instituto Arqueológico Austríaco, uma pesquisa com a ossada da família da rainha egípcia mostrou que ela tinha uma origem étnica mista, sendo, ao menos parcialmente, africana. Ou seja, após anos de discussão sobre "whitewashing", a escolha por uma atriz branca israelense é gatilho para controvérsias. Nas redes sociais, Gadot desviou o foco da discussão. "Nós esperamos que mulheres e garotas ao redor do mundo que aspirem contar suas histórias nunca desistam de seus sonhos. Nós vamos fazer suas vozes serem ouvidas, por e para outras mulheres", disse ela.

Elizabeth Taylor

Antes de Gal Gadot, outra atriz branca interpretou Cleópatra nos cinemas. Com uma atuação magistral, Elizabeth Taylor acabou reforçando a ideia no ocidente de uma rainha egípcia sensual e extremamente dominante - algo que não parece ter ligação com a realidade. "Ela não era essa (mulher) sedutora glamorosa de que os diretores parecem gostar tanto. Não há evidências de que ela tenha tido mais do que dois parceiros sexuais: Júlio César, a quem foi fiel até ele morrer, e Marco Antônio", disse Joyce Tyldesley, professora de egiptologia da Universidade de Manchester e autora de Cleópatra: A Última Rainha do Egito, à BBC.

Scarlett Johansson

A contratação de Scarlett Johansson para viver Matoko, protagonista de “Ghost in the Shell”, não repercutiu bem em 2017. Por um motivo óbvio: no mangá criado por Masamune Shirow, a personagem é asiática, e não caucasiana como a atriz estadunidense. Apesar das fortes críticas e acusações de embranquecimento da história por parte de Hollywood, ela não se arrepende da personagem. "Eu certamente nunca presumiria interpretar uma pessoa de outra etnia. Diversidade é importante em Hollywood, e eu nunca iria querer sentir como se eu estivesse interpretando um personagem que era ofensivo", disse em entrevista à Marie Claire.

Ben Kingsley

Um dos casos mais emblemáticos de embranquecimento no cinema. Ben Kingsley venceu o Oscar de Melhor Ator em 1983 após a sua atuação em "Gandhi", quando pintou a pele em um tom mais escuro para viver o líder pacifista indiano. Hoje em dia, ninguém discute que o filme é racista.

Jake Gyllenhall

O filme "Príncipe Da Pérsia: As Areias Do Tempo" tem um elenco inteiro composto por atores brancos. Neste contexto de total ligação com a realidade, Jake Gyllenhall viveu um príncipe indo-europeu - e hoje reconhece que a decisão foi um grande erro em sua carreira. “Acho que aprendi muito com esse filme, porque agora passo muito tempo avaliando os papéis que aceito e por que os aceito”, disse ele ao Yahoo Entertainment em 2019.

Tilda Swinton

Em “Doutor Estranho”, a atriz viveu interpretou o Ancião - um velhinho oriental nas HQs. Em entrevista ao Den of Geek, ela se defendeu das críticas de embranquecimento da personagem, dizendo desconhecer a origem dela. ”O roteiro que apresentaram não pedia que eu interpretasse um homem asiático. Isso nunca entrou em questão quando me perguntaram se estaria interessada no papel", disse.

Jim Caviezel (A Paixão de Cristo)

O caso clássico da visão eurocêntrica sobre a aparência de Jesus Cristo - visto em praticamente todos os filmes sobre o mais importante personagem bíblico. Em vez de convidar um ator do Oriente Médio, Mel Gibson preferiu escalar Jim Caviezel - artista de descendência irlandesa e suíça.

Gerard Butler

“Deuses do Egito” é mais um filme sobre o Oriente Médio com apenas atores brancos. O erro é tão grosseiro, analisando nos dias de hoje, que o próprio diretor Alex Proyas, responsável por escalar Butler, Nikolaj Coster-Waldau e outros atores da mesma etnia, pediu desculpas. “O processo para a escolha de elenco tem muitas variáveis complicadas, mas está claro que as nossas escolhas deveriam ter sido mais diversas. Eu peço sinceras desculpas a todos que se ofenderam com as nossas decisões”, disse à Forbes.

Tom Cruise

O ator viveu William Cage em “No Limite da Amanhã”. O filme se passa na Europa e conta com elenco todo branco - bem diferente da versão original, o mangá “All You Need is Kill”, escrito por Hiroshi Sakurazaka e protagonizado por um asiático, Keiji Kiriya. Como o ator não gosta de responder perguntas difíceis, até hoje ele não se pronunciou sobre o caso.

Christian Bale

Ridley Scott cometeu o mesmo erro clássico de escalar atores para viver personagens egípcios em “Êxodo: Deuses E Reis”. Dentro dessa aberração histórica, coube a Christian Bale viver Moisés. Apesar da controvérsia, o ator evitou criticar o diretor pelo problema em entrevista ao Guardian sobre a obra: “Não acho que dedos devem ser apontados. Todos devemos olhar para nós mesmos e dizer: 'Estamos apoiando atores e cineastas maravilhosos do norte da África e do Oriente Médio?' Porque existem artistas fantásticos por ali", refletiu.

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