10 PMs são indiciados por tortura e lesão corporal a torcedor do Brasil-Pel

Dez policiais militares foram indiciados pelos crimes de tortura e lesão corporal contra o torcedor Rai Duarte, do Brasil de Pelotas, que fora retirado pela Brigada Militar de um ônibus da caravana de torcedores do Brasil de Pelotas que deixou o sul do Rio Grande do Sul para acompanhar o duelo contra o São José pela Série C do Campeonato Brasileiro e, de acordo com ele, levado para uma sala dentro do Estádio Passo Dareia e fortemente agredido pelos oficiais.

Rai passou mais de 100 dias internado no Hospital Cristo Redentor, em Porto Alegre, e teve de passar por mais de dez cirurgias. Vladimir Luís Silva da Rosa, corregedor-geral da Brigada Militar, relatou que 17 oficiais foram investigados no inquérito e ainda há pendências no caso: "Entre policiais militares e cidadãos civis, foram ouvidas 75 pessoas durante a investigação. Ainda assim, restam algumas medidas cautelares a serem cumpridas, que fazem parte do trâmite administrativo e burocrático, tendo em vista a magnitude do inquérito. A conduta dos militares extrapolou todas as normas legais da corporação. A Brigada Militar procurou sempre a verdade e, principalmente, buscar a justiça".

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O caso será encaminhado para a Justiça Militar e ao Ministério Público do Rio Grande do Sul, que correrão com processo administrativo para que haja a demissão dos policiais militares envolvidos no caso e que as investigações penais tenham andamento.

Quando já se preparavam para deixar Porto Alegre e voltarem para Pelotas, torcedores do Brasil relataram tortura por parte dos policiais: "Vieram dois caras com ele (Raí). O que cara que tirou ele, chegou, tirou o capacete e disse 'cadê tu, valentão?'. O pau pegou. Pensa em apanhar. Eles bateram muito. Bateram em nós também, mas bem menos que nele. Cassetete, gás de pimenta, tapas no rosto. Um chegou e disse que desde 1994 bate na torcida do Brasil e vai continuar batendo. A coisa funciona assim, ninguém vai mudar isso".

Outro relato, também de torcedor que não quis se identificar, dá conta de que policiais interferiram, também no depoimento dado pelos torcedores no hospital: "Depois dali nos levaram ao hospital. A gente ficou um baita tempo para ser atendido, e quando fomos atendidos o médico nos chamou na sala, acompanhados da polícia, algemados todo o tempo. O médico me fazia perguntas e quem respondia as perguntas era o policial. Três ficaram em observação. Os outros nove, incluindo eu, ficaram ali na frente. Começou a me dar um mal estar. Nos botaram dentro da viatura para ir até a delegacia. Do estádio até o hospital, eram seis pessoas dentro do porta-malas. Ficamos mais de meia hora, dentro da viatura, apertados, sem liberação".

Rai passou 47 dias em coma induzido na UTI do Hospital Cristo Redentor e outros 69 em recuperação por conta das cirurgias que teve de passar. As agressões recebidas geraram um corte em seu abdômen, o que afetou seu intestino.