A 100 dias dos Jogos Olímpicos de Tóquio, mais eventos são cancelados e opinião pública continua contrária ao evento

O Globo
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A 100 dias da data marcada para o início dos Jogos Olímpicos de Tóquio, dia 23 de julho, a pandemia ainda gera incertezas sobre a viabilidade e a conveniência da realização do megavento no Japão e o Comitê Olímpico Internacional tenta convencer os japoneses de que será uma Olimpíada segura.

O COI nega haver qualquer chance de cancelamento ou novo adiamento dos Jogos.

– Definitivamente não. Sei que os organizadores japoneses não estão considerando o cancelamento – disse John Coates, o coordenador-chefe do COI para Tóquio.

Nesta quarta-feira, o governo de Matsuyama (cidade no oeste do país) confirmou que a passagem da tocha olímpica, marcada para o dia 21 de abril, será cancelada devido à pandemia do coronavírus. Na semana passada, Osaka proibiu a passagem da chama pelas vias públicas da província por causa da situação sanitária.

–Cancelaremos o revezamento da tocha em Matsuyama. Celebraremos a chegada da tocha de uma maneira que não envolva o público – disse o governador de Ehime, na ilha de Shikoku, da qual Matsuyama é a maior cidade.

De acordo com o governo local, os serviços médicos de emergência da região de Ehime estão sob pressão extrema e por isso a decisão foi aceita pelo comitê organizador de Tóquio-2020. Até o momento, o órgão não se pronunciou publicamente.

Figuras fora dos governos locais também destacam os riscos dos Jogos Olímpicos neste momento de crescimento de casos no Japão. O presidente da Associação Médica de Tóquio afirmou que celebrar o evento será "realmente difícil".

–Se os casos de infecção continuarem aumentando, será difícil organizar os Jogos Olímpicos em sua forma atual com atletas procedentes de todos os países, mesmo sem público. Gostaria muito que os organizadores apresentassem medidas concretas para evitar o aumento de infecções e pedir a cooperação de todos pelo bem dos atletas – disse Haruo Ozaki, citado pelo jornal Sports Hochi.

Por outro lado, o COI acredita que a percepção negativa os japoneses que, em sua maioria, se opõem aos Jogos de Tóquio vai mudar. A ênfase nas medidas de segurança para minimizar o risco de infecções por Covid-19 e os feitos esportivos recentes de atletas japoneses podem ajudar a melhorar o humor dos locais.

Uma pesquisa da Kyodo News esta semana mostrou que mais de 70% das pessoas no Japão querem que as Olimpíadas de Tóquio sejam canceladas ou adiadas.

John Coates, o coordenador-chefe do COI para Tóquio, disse que histórias de sucesso esportivo do Japão, como o triunfo de Hideki Matsuyama no Masters de golfe, no domingo, aumentariam o apoio aos Jogos, que foram adiados por um ano devido à pandemia.

–Assim que essas histórias começarem a chegar ao público, estou muito confiante de que a opinião pública mudará– disse Coates em coletiva. –Sydney (Olimpíadas de 2000) não parecia muito bem antes, mas quando chegamos aos 100 dias, mudou. Esperamos influenciar a opinião pública por meio de medidas de segurança

Os desafios são imensos. Desde a organização do público - não serão permitidos estrangeiros e ainda não sabe o que fazer com a torcida nacional - ao deslocamento dos atletas de forma segura. No entanto, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, disse na cerimônia dos 100 dias que a luta contra "um inimigo invisível" foi uma grande provação para a humanidade, e que ela estava determinada a tornar o evento um sucesso.

– Os atletas ainda vão competir nas melhores condições. Não haverá espectadores estrangeiros ou familiares para apoiá-los. Eles ficarão confinados à Vila Olímpica e aos seus recintos desportivos. Eles não vão ao centro para comemorar. Isso vai faltar – disse Coates.

Na segunda-feira, Tóquio retomou medidas emergenciais por um mês para conter uma quarta onda de infecções e mais de 90% dos entrevistados ficaram ansiosos com o ressurgimento do vírus.