100 dias para a Olímpíada: veja os candidatos a estrela em Tóquio

O Globo, com agências internacionais
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Sem Michael Phelps e Usain Bolt, os dois gigantes do esporte olímpico deste século, o posto de destaque dos Jogos de Tóquio está aberto. Veja alguns dos candidatos a destaque nos Jogos Olímpicos no Japão, o mais desafiador da Era Moderna e que vai acontecer a daqui 100 dias.

Simone Biles

A americana de 24 anos tem 25 medalhas em mundiais, sendo 19 de ouro. É a ginasta com mais pódios neste evento do planeta. Biles obteve cinco títulos mundiais no individual geral (2013, 2014, 2015, 2018 e 2019), sendo a primeira ginasta na história a atingir tal feito. Sua história pessoal e seu desempenho público após a revelação do ‘caso Nassar’ (atos de violência sexual dentro da equipe americana, dos quais ela também foi vítima) deram a ela uma projeção que transcende os limites de seu esporte.

Na Olimpíada do Rio, em 2016, na sua primeira experiência em Jogos Olímpicos, ganhou cinco medalhas (quatro ouros e um bronze) e á candidata a ganhar mais seis medalhas de ouro olímpicas, em Tóquio. Ela anunciou em 1º de março que competiria na Copa do Mundo de Tóquio, evento teste para a ginástica, que seria disputado em 4 de maio e foi cancelado. Billes, que não compete desde que conquistou cinco medalhas de ouro no Campeonato Mundial de Stuttgart, em outubro de 2019, deve mesmo voltar às competições no torneio nacional, nos Estados Unidos, em Fort Worth, Texas, em junho. As seletivas olímpicas dos EUA estão programadas para 24 a 27 de junho em St. Louis, Missouri.

Armand Duplantis

Com apenas 21 anos, o recordista mundial de salto com vara (6,18 metros), Armand Duplantis, será o grande favorito na competição olímpica, na qual terá a companhia do veterano francês Renaud Lavillenie (34 anos) e dos americanos (Sam Kendricks, Chris Nilsen e KC Lightfoot).

O prodígio sueco começou o ano com grandes expectativas. Dominou a temporada em pista coberta ultrapassando a marca dos seis metros em quatro torneios e detém a melhor marca do ano (6,10 metros). Também aproveitou o início de 2021 para aumentar seu recorde, com um título de campeão europeu indoor em Torun (Polônia).

Rafael Nadal e Roger Federer

Dois veteranos do tênis, mas com expectativas renovadas: Rafael Nadal e Roger Federer, de 34 e 39 anos, buscarão o ouro em Tóquio. Nadal já conseguiu isso na categoria individual em Pequim-2008, mas Federer ainda não. O suíço conquistou na China uma medalha de ouro, mas nas duplas, ao lado de Stan Wawrinka.

As dúvidas sobre ambos pairam sobre a forma física. Nadal tem problemas nas costas desde o início da temporada. Do Aberto da Austrália (fevereiro) ao torneio de Monte Carlo nesta semana, ele tem estado longe das competições, então sua condição ainda é desconhecida.

Há ainda mais dúvidas sobre Federer, que retornou às quadras em Doha em março passado, após treze meses fora do circuito ATP e duas operações no joelho direito.

Na capital do Catar, ele venceu um jogo e perdeu outro. Seu segundo torneio após o retorno está agendado para o início de maio, em Madri, no saibro. Seu objetivo é estar no mais alto nível em Wimbledon e depois em Tóquio.

Caeleb Dressel

Caeleb Dressel parece ter tudo para ser, até certo ponto, o sucessor de Michael Phelps na natação masculina.

Aos 24 anos, o velocista americano foi vitorioso ‘apenas’ em provas de revezamento no Rio-2016 (4x100m estilo livre e estilos), portanto ainda está longe das 23 medalhas de ouro olímpicas de Phelps, que são um recorde absoluto.

Na Copa do Mundo de 2017, ele conquistou sete títulos e em 2019 alcançou oito medalhas, seis delas de ouro, que lhe credenciam para ser um grande nome da piscina no Japão.

Mo Farah

O atleta britânico Mo Farah, que começou a competir em provas de longa distância a partir de 2017, assumiu um último desafio aos 38 anos.

Depois de conquistar o ouro nos 5.000 a 10.000 metros em Londres-2012 e Rio-2016, ele sonha com o quinto título olímpico em Tóquio, nos 10.000 metros.

Mas a competição é acirrada, principalmente com o surgimento do ugandense Joshua Cheptegei.

Na sua única participação num estádio desde o anúncio do seu regresso às provas de pista, em setembro de 2020, em Bruxelas, o corredor de origem somali bateu o recorde mundial da hora (21.330 km).

Depois ele participou de um reality show no final de 2020 e venceu a meia maratona do Djibouti (com o tempo de 1:03:07) no início de março.

Noah Lyles

Após a aposentadoria do jamaicano Usain Bolt e sem o americano Christian Coleman (punido por dois anos por não ter realizado exame antidoping quando solicitado), outro americano, Noah Lyles, de 23 anos, tentará se tornar o primeiro velocista dos Estados Unidos a vencer os 100 e os 200m nas Olimpíadas, feito alcançado pela última vez por um aleta do país em 1984, com Carl Lewis.

O ano passado foi cansativo para o carismático atleta, que revelou em agosto que estava fazendo um tratamento contra a depressão que, segundo ele, foi agravada pelo confinamento imposto pela pandemia e as manifestações do movimento antirracista ‘Black Lives Matter’.

O fechamento de instalações esportivas no início da pandemia o deixou sem local para treinar.

Lyles, que também é asmático, planeja treinar principalmente nos Estados Unidos para se preparar para as Olimpíadas.

Kohei Uchimura

O Japão deposita suas esperanças de medalhas no ginasta Kohei Uchimura, seis vezes campeão mundial entre 2009 e 2015, uma conquista inédita, e bicampeão olímpico.

Mas aos 32 anos e após um período atormentado por problemas físicos, seus ombros doloridos o fazem concentrar seus esforços na barra alta.

Nos próximos dias (15 a 18 de abril) ele vai participar das eliminatórias do Japão e tentará selar sua passagem para a quarta Olimpíada, onde sonha se despedir com a oitava medalha olímpica.

Seu título de campeão do Japão, em dezembro passado, já é um bom presságio.