Mais de 100 jornalistas mortos e em 2015, segundo a Repórteres Sem Fronteiras

Por Laurence BENHAMOU
(Arquivo) Um ativista da organização Repórteres sem Fronteiras durante um protesto pela libertação de jornalistas eritreus realizado em Paris no dia 16 de dezembro de 2014

Um total de 110 jornalistas foram mortos em todo o mundo em 2015, informou a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) nesta terça-feira, destacando que a maioria foi vitimada por causa de seu trabalho em países supostamente pacíficos.

Sessenta e sete jornalistas foram mortos enquanto trabalhavam e outros 43 morreram em circunstâncias ainda não determinadas, segundo o grupo em seu relatório anual. Mais 27 cidadãos que atuavam como jornalistas não profissionais e 7 funcionários de outras mídias também foram mortos.

Em 2014, dois terços dos jornalistas foram mortos em zonas de guerra, mas em 2015, ocorreu o exato oposto: dois terços foram mortos em países supostamente pacíficos, sem ocorrência de conflitos.

Com oito jornalistas assassinados em 2015, o México foi o país da América Latina mais perigoso para a profissão, onde foram registrados 67 profissionais da informação mortos.

A lista dos países mais perigosos para os jornalistas em 2015 é liderada pelo Iraque (11 assassinados) e Síria (10), seguidos pela França, com oito mortos, ocupando o terceiro lugar por causa do ataque contra a revista satírica Charlie Hebdo há quase um ano.

"Esta preocupante situação pode ser imputada à uma violência deliberada contra os jornalistas e coloca em evidência o fracasso das iniciativas destinadas a protegê-los", afirma a organização.

A RSF lista os "abusos que marcaram o ano", a começar pelo atentado em 7 de janeiro contra a Charlie Hebdo, mas também o assassinato "encenado" pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) do jornalista japonês Kenji Goto, em 31 de janeiro.

Impunidade

No topo da lista, o México tomou consciência da grave situação que vive com a morte do fotojornalista Rubem Espinosa, encontrado morto em agosto, com "traços de tortura", ao lado de quatro mulheres em um apartamento do México.

"Seu assassinato provocou uma onda de indignação e uma tomada de consciência sobre a falta gritante de proteção para os jornalistas no México", ressalta a MSF, lembrando que uma lei para protegê-los entrou em vigor poucos dias depois, mas que é válida apenas no distrito do México.

RSF também dá destaque ao assassinato na Somália de Hindiyo Haji Mohamed, uma das duas mulheres jornalistas mortas este ano no mundo.

A jornalista da televisão nacional "sucumbiu aos ferimentos infligidos por um ataque com carro-bomba realizado pela milícia islamita shebab em Mogadíscio, em 3 de dezembro", segundo a organização, que denuncia a "impunidade" neste país.

Seu marido, também jornalista, foi vítima de um ataque em setembro de 2012.

"É imperativo estabelecer um mecanismo concreto para a implementação do direito internacional sobre a proteção dos jornalistas. Hoje, grupos perpetram abusos direcionados contra esses profissionais, enquanto muitos Estados não cumprem as suas obrigações", observa o secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, no comunicado.

A organização também lamenta que as circunstâncias da morte de 43 jornalistas este ano "permanecem indeterminadas, devido à falta de investigações imparciais e exaustivas, e devido à falta de vontade dos Estados".

Em todo o mundo, há atualmente 54 jornalistas feitos reféns, contra 40 em 2014, apesar deste ano haver menos sequestros que o anterior.

No total, 787 jornalistas foram mortos no mundo desde 2005 durante o exercício de sua profissão.

A ONG critica a falta de envolvimento de certos países para proteger seus jornalistas e exige uma reação que esteja à altura da emergência.