100 segundos para o apocalipse: como ler o Relógio do Juízo Final

Imagem do Relógio do Juízo Final
O Relógio do Juízo Final marca 100 segundos para a meia-noite

O Relógio do Juízo Final mostra como a humanidade está perto do apocalipse. Mas de onde ele vem, como ele lê o tempo que falta e o que podemos aprender com ele?

Foi de uma professora na escola, em meados dos anos 1990, que ouvi falar pela primeira vez do Relógio do Juízo Final.

Ela contou à minha classe sobre os grandes eventos da história, explicando que, se tudo o que aconteceu no nosso planeta fosse comprimido em um único ano, a vida teria surgido no início de março, os organismos multicelulares em novembro, os dinossauros no final de dezembro e os seres humanos somente entrariam em cena às 23h30 da Véspera de Ano Novo.

Depois, ela comparou esse grande período da história com o nosso futuro e como ele pode ser curto - e disse que um grupo de cientistas nos Estados Unidos acha que podemos ter apenas alguns minutos metafóricos até meia-noite.

Mas nunca havia passado pela minha cabeça que, algum dia, eu poderia estar trabalhando com a mesma questão, como pesquisador do Centro de Estudos dos Riscos Existenciais da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. É uma história impressionante e, por muitos anos, eu pensei que o Relógio do Juízo Final significava que seus ponteiros representassem o tempo que nós temos até o fim.

Mas não é exatamente isso.

Há 75 anos, os cientistas responsáveis pelo Relógio do Juízo Final publicam, no Bulletin of the Atomic Scientists ("Boletim dos Cientistas Atômicos", em tradução livre), sua conclusão anual de quanto tempo falta para que os ponteiros do Relógio do Juízo Final indiquem meia-noite.

Todos os anos, o anúncio destaca a complexa teia de riscos catastróficos enfrentados pela humanidade, incluindo armas de destruição em massa, colapsos ambientais e tecnologias problemáticas.

E, em 2020, a presidente do Boletim, Rachel Bronson, anunciou solenemente que os ponteiros do Relógio haviam se movido para mais perto do apocalipse do que nunca - apenas 100 segundos, posição que foi mantida desde então.

Mas, para compreender o que isso realmente significa, é preciso entender a história do Relógio, quais as suas origens, como interpretá-lo e o que ele diz sobre a crise existencial da humanidade.

A criação do Relógio

A velocidade e a violência da evolução da tecnologia nuclear foram de tirar o fôlego, mesmo para as pessoas envolvidas no seu desenvolvimento.

Em 1939, os renomados cientistas Albert Einstein e Leo Szilard escreveram para o presidente dos Estados Unidos sobre uma descoberta muito poderosa na área da tecnologia nuclear, que poderia ter consequências bélicas tremendas: uma única bomba nuclear "transportada de navio e detonada em um porto poderia muito bem destruir todo o porto". Era uma possibilidade muito significativa que não poderia ser ignorada.

Essa carta levou à criação de um enorme projeto de colaboração científica, militar e industrial - o Projeto Manhattan - que, em apenas seis meses, produziu uma bomba muito mais poderosa que a imaginada por Einstein e Szilard, capaz de destruir uma cidade inteira e sua população. E, poucos anos mais tarde, os arsenais nucleares já eram capazes de destruir toda a civilização como a conhecemos.

A primeira preocupação científica de que as armas nucleares poderiam ter o potencial de pôr fim à humanidade veio dos cientistas envolvidos nos primeiros testes nucleares. Sua preocupação era que as novas armas pudessem acidentalmente incendiar a atmosfera da Terra. Essas preocupações foram rapidamente desmentidas e, felizmente para todos os envolvidos, comprovou-se que eram falsas.

Albert Einstein e Leo Szilard
Em 1939, Albert Einstein e Leo Szilard escreveram para o presidente dos Estados Unidos alertando sobre os perigos nucleares

Mesmo assim, muitas pessoas que trabalharam para o Projeto Manhattan continuaram a ter fortes reservas sobre o poder das armas que ajudaram a produzir.

Depois da primeira tentativa bem sucedida de dividir o átomo na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, em 1942, confirmando seu potencial de liberar energia, a equipe de cientistas que trabalhava no Projeto Manhattan se dispersou. Muitos deles mudaram-se para Los Alamos e para outros laboratórios do governo, a fim de desenvolver armas nucleares. Outros permaneceram em Chicago conduzindo suas próprias pesquisas.

Muitos desses cientistas haviam emigrado para os Estados Unidos e conheciam muito bem a conexão entre a ciência e a política. Eles começaram a organizar ativamente uma tentativa de garantir um futuro seguro para a tecnologia nuclear.

Eles ajudaram, por exemplo, a fazer avançar o Relatório Franck em junho de 1945, que previa uma corrida de armas nucleares cara e perigosa, e apresentaram argumentos contra um ataque nuclear de surpresa ao Japão. Naturalmente, suas recomendações não foram aceitas na época pelas pessoas responsáveis pela tomada de decisões.

Esse grupo criou o Boletim dos Cientistas Atômicos de Chicago e sua primeira edição foi publicada apenas quatro meses após o ataque com bombas atômicas a Hiroshima e Nagasaki, no Japão. Com o apoio do reitor da Universidade de Chicago e em colaboração com colegas especialistas em legislação internacional, ciência política e outros campos correlatos, eles ajudaram a criar e apoiar um movimento global de cientistas e cidadãos, capaz de afetar a ordem nuclear global.

Esse movimento teve sucesso notável, por exemplo, ao estabelecer o "tabu nuclear" - tanto que, em conversas privadas, o secretário de Estado norte-americano chegou a queixar-se de que o "estigma da imoralidade" evitava que os Estados Unidos usassem armas nucleares.

Ao decidirem manter sua sede em Chicago, os fundadores sinalizaram sua intenção de priorizar a colaboração com seus colegas cientistas e membros do público sobre os desafios éticos e políticos da tecnologia nuclear, sem se voltar para os líderes políticos e militares que tanto haviam depreciado suas preocupações até então.

Eles argumentavam que a pressão do público era fundamental para a responsabilidade política e a educação era o melhor canal para garantir essa pressão.

Posição do Relógio
Posições do Relógio do Juízo Final nos últimos 75 anos

Dois anos após a sua criação, o Boletim decidiu mudar sua apresentação, deixando de ser um boletim impresso para adotar um formato de revista, a fim de atingir maior quantidade de leitores. Foi nesse ponto que seus responsáveis chamaram a artista Martyl Langsdorf para desenhar um símbolo para a nova capa - e ela produziu o primeiro Relógio do Juízo Final.

Casada com um dos cientistas do Projeto Manhattan, Langsdorf compreendia a urgência e o desespero que seu marido e os colegas sentiam sobre a gestão da tecnologia nuclear. Ela criou o Relógio para chamar a atenção para a urgência da ameaça que eles vislumbravam e também para sua crença de que os cidadãos responsáveis poderiam evitar a catástrofe com sua mobilização e envolvimento - pois a mensagem do Relógio foi que seus ponteiros poderiam mover-se tanto para frente como para trás.

Em 1949, a União Soviética testou suas primeiras armas nucleares. Por isso, o editor do Boletim moveu os ponteiros do Relógio de sete para três minutos para meia-noite. Ao fazê-lo, ele ativou o Relógio, que deixou de ser uma metáfora estática e passou a ser dinâmico. O Relógio evoluiria para um símbolo que, segundo Kennette Benedict, ex-diretora executiva do Boletim, é um aviso para "o público sobre como estamos perto de destruir o nosso mundo com tecnologias perigosas fabricadas por nós mesmos. É uma metáfora, um lembrete dos perigos que devemos abordar se quisermos sobreviver no planeta."

Em 1953, o Relógio moveu-se adiante mais uma vez, para dois minutos para a meia-noite, depois que os Estados Unidos e a União Soviética detonaram as primeiras armas termonucleares. Foi o mais próximo da meia-noite que o Relógio esteve no século 20.

Como ler o Relógio

Mas o que realmente indicam esses tempos e movimentos?

É fácil interpretar o Relógio do Juízo Final da forma que fez a minha professora - como uma previsão do tempo que resta para a humanidade, algo que seria muito difícil de se prever e é de pouco uso se a sua intenção for evitar o apocalipse em vez de simplesmente prevê-lo.

Uma leitura mais plausível é que o Relógio se destina a indicar o nível atual de risco enfrentado pela humanidade - e algumas pessoas, de fato, tentaram determinar isso. Em 2003, Martin Rees, o cosmólogo e astrônomo real do Reino Unido, argumentou: "acho que a probabilidade é de não mais de 50% que a nossa atual civilização na Terra sobreviva ao final do presente século".

Ele não é o único com essa opinião e um banco de dados dessas avaliações de risco, reunidas por um pesquisador da Universidade de Oxford, no Reino Unido, contém atualmente mais de 100 previsões de diversos cientistas e filósofos que estudam o assunto. Mas essas estimativas, por mais úteis que sejam, são consideradas avaliações de longo prazo e não fotografias em tempo real do nível de risco atual.

Já outros observadores dedicados do Relógio, como eu, interpretam os movimentos do Relógio do Juízo Final de forma um pouco diferente. Seu objetivo não é nos dizer o tamanho do risco enfrentado pela humanidade, mas a eficácia da nossa reação a esse risco.

É um consenso, por exemplo, que a crise dos mísseis de Cuba, em 1962, foi o mais perto que o mundo já chegou à guerra nuclear, mas esse episódio não fez movimentar o Relógio. Já o Tratado de Proibição Parcial de Testes Nucleares de 1963 testemunhou a mudança dos ponteiros do Relógio para trás em cinco minutos inteiros.

E isso faz sentido, pelo menos para os pesquisadores dos riscos existenciais, como eu próprio. Vários amigos me consultam para ter informações em momentos de aumento da tensão política global, como a crise diplomática de 2017 entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte ou o colapso do acordo nuclear com o Irã, em 2018.

Mas geralmente eu preciso desapontá-los. Nós simplesmente não passamos a maior parte do tempo estudando ou nos preocupando com eventos como esses. Na verdade, são flutuações perfeitamente normais da política e da diplomacia internacional.

O que preocupa pessoas como eu é, primeiramente, a existência de armas que os líderes poderiam detonar nessa crise e, em segundo lugar, as instituições e estruturas inadequadas e, às vezes, disfuncionais que temos para impedir que eles as detonem. Esses problemas não são criados por crises globais individuais - sua natureza é sistêmica e é isso que o Relógio do Juízo Final tenta medir.

Bomba explodindo
Proliferação de armas nucleares durante a Guerra Fria fez relógio se aproximar da meia-noite

Os últimos movimentos do Relógio

Eu não tinha total conhecimento disso na época, mas comecei a me preocupar com o Relógio do Juízo Final em meados dos anos 1990 - coincidentemente, o momento de maior segurança da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial. Entre 1987 e 1991, o Relógio andou para trás em surpreendentes 14 minutos em quatro anos, à medida que a redução das tensões da Guerra Fria fornecia proteção significativa contra a ameaça de guerra nuclear.

Os episódios mais notáveis foram o Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, de 1987 - que proibiu todos os mísseis balísticos em território russo e norte-americano com alcance de 500 a 5.500 km e causou a retirada de serviço de 2.692 mísseis nucleares - e o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start, na sigla em inglês), de 1991, que levaria à eliminação de cerca de 80% das armas nucleares.

Nesse momento, o Relógio do Juízo Final foi alterado para 17 minutos para meia-noite e até retirado da capa do Boletim de Cientistas Atômicos - em parte, porque já não parecia mais tão expressivo. Mas, infelizmente, esse estado de coisas não duraria muito.

A manutenção dos altos níveis de gastos militares e as preocupações crescentes com a proliferação nuclear no sul da Ásia e no Oriente Médio fizeram com que, no final da década de 1990, o Relógio voltasse para nove minutos para a meia-noite e continuasse e progredir inexoravelmente para frente. Mas a última década observou uma aceleração muito mais preocupante do movimento do Relógio do Juízo Final, até que, em 2020, ele atingiu 100 segundos para a meia-noite - ou seja, mais próximo do apocalipse que no tempo da Guerra Fria.

Como isso aconteceu? Um fator foi o surgimento de novos tipos de ameaças globais e o repetido fracasso dos governos do mundo para enfrentá-las.

As ameaças globais do século 21

Em 2007, o Boletim começou formalmente a analisar as mudanças climáticas, além das ameaças nucleares, para definir a posição dos ponteiros do Relógio.

É claro que esses riscos são muito diferentes. Os ataques nucleares poderiam acontecer em questão de minutos, enquanto o risco climático é cumulativo, ano após ano. Além disso, a responsabilidade pelas armas nucleares do mundo está nas mãos, ou dedos, de muito poucos tomadores de decisões globais, enquanto todos nós estamos envolvidos nas mudanças climáticas e na destruição ambiental - mesmo que em escalas muito diferentes.

Mas, sem dúvidas, a gravidade desses dois riscos - tanto em termos de seu potencial para causar catástrofes globais quanto da probabilidade de que isso aconteça - é comparável. E, para os dois riscos, precisamos examinar se o nível atual de ações globais sendo tomadas para combatê-los é ou não proporcional à sua gravidade e à crescente urgência de reduzi-los.

Pessoa fotografando uma árvore
As mudanças climáticas são agora uma ameaça importante e ajudam a explicar por que o Relógio está tão perto da meia-noite

Por muitos anos, as páginas do Boletim também analisaram os desafios apresentados por novas tecnologias problemáticas e esses desafios agora também influenciam os ponteiros do Relógio do Juízo Final.

Essas tecnologias incluem a inteligência artificial, armas biológicas e a nanotecnologia. Além das tecnologias específicas, o nosso futuro também é cada vez mais ameaçado pela convergência das tecnologias problemáticas com as ameaças nucleares e ambientais existentes.

Um segundo fator da posição do Relógio mais próxima da meia-noite é o fato de que, como o número e a variedade das ameaças enfrentadas pela humanidade se multiplicaram, a seriedade das dificuldades de gestão desses riscos também aumentou.

Em 2015, o Boletim moveu o Relógio do Juízo Final de cinco para três minutos para a meia-noite, indicando três questões fundamentais por trás dessa mudança. Primeiramente, a deterioração das relações entre os Estados Unidos e a Rússia, que juntos possuem 90% do arsenal nuclear do mundo, e o enfraquecimento de muitos dos instrumentos idealizados para manter esses arsenais em segurança, como o sucessor do tratado Start (Novo Start).

Em segundo lugar, todos os Estados que possuíam armas nucleares estavam investindo massivamente nesses sistemas, incluindo sua substituição, expansão e modernização. E, por fim, não havia nenhum sinal de formação da arquitetura global necessária para combater as ameaças climáticas.

Mas, em 2016, o Boletim identificou dois pontos brilhantes com potencial de reverter algumas dessas tendências negativas: o acordo nuclear com o Irã e o acordo do clima de Paris - mas com a ressalva de que nenhum deles havia sido totalmente implementado. E, em 2017, os editores do Boletim foram forçados a concluir que a situação havia piorado significativamente, já que esses dois pontos brilhantes haviam sido ofuscados pelas mudanças da política doméstica norte-americana.

Agregou-se a essa mudança o aumento das evidências de menosprezo global pelo conhecimento e negligência sobre a liderança e a linguagem nuclear. Por isso, o Boletim moveu o Relógio para dois minutos e meio para a meia-noite e, em 2018, moveu novamente, para dois minutos, devido à contínua deterioração da diplomacia internacional.

Duas pessoas ao lado do Relógio
O anúncio do Relógio do Juízo Final em 2021, quando permaneceu em 100 segundos para a meia-noite - posição que foi mantida em 2022

A posição do Relógio adotada desde 2020 - 100 segundos para a meia-noite - reflete a absoluta instabilidade da situação global e a falha das instituições internacionais em reagir ao tique-taque do risco existencial.

Essa situação inclui o colapso do Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, que havia sido um dos primeiros sinais do fim da Guerra Fria. Pode não existir mais uma clara luta ideológica por trás dos conflitos internacionais, mas a escala de divergências entre as grandes potências e a falta de instituições que solucionem essas divergências parecem ser as piores que já existiram - e as formas em que essas divergências poderão vir a gerar uma catástrofe global continuam a multiplicar-se.

O que podemos esperar no futuro próximo?

A atual pandemia expôs as fraquezas dos governos atuais. A desigualdade da reação à covid-19 e a falta de liderança global para trabalhar para a vacinação universal e erradicação da doença não são um bom presságio para a prevenção das ameaças existenciais.

Igualmente frustrante foi a falta de progresso na cúpula do clima COP26. Mas estamos também observando o aumento da preocupação global com a aceleração da crise da biodiversidade e a contínua fragilidade dos esforços internacionais para lidar com a questão.

Suspeito que continuaremos a ver preocupações expressas sobre as tensões da política internacional, especialmente entre os Estados Unidos, Rússia, Irã e China, mas agora sabemos que elas já estão se alastrando para conflitos muito reais na zona cinza da cibersegurança, desinformação e desestabilização política.

Por fim, podemos também considerar o aumento das tensões entre os governos e as empresas envolvidas no desenvolvimento da inteligência artificial e outras tecnologias problemáticas, além do recente fracasso das tentativas de elaborar um acordo sobre a proibição das armas letais autônomas.

Poderia ter sido feito outro ajuste do Relógio do Juízo Final para mais perto da meia-noite este ano? Isso certamente não me surpreenderia. Mas não devemos nos acomodar, pois ele já está muito perto do apocalipse.

A crise da covid-19 poderia ter servido para impulsionar os governos a unir-se em prol da nossa segurança, como ocorreu com a crise dos mísseis em Cuba, 60 anos atrás, mas não foi o caso. É difícil ver como as coisas poderão melhorar significativamente sem que ainda outras crises e desastres finalmente nos incentivem a agir.

Mas o que aprendemos com o Relógio do Juízo Final é que a nossa capacidade atual de lidar com essas crises provavelmente é a pior da história. O Relógio ainda está se movendo e, se não pudermos fazer seus ponteiros voltarem, as badaladas da meia-noite podem não estar distantes.

*S. J. Beard é pesquisador do Centro de Estudos dos Riscos Existenciais da Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Sua conta no Twitter é @CSERSJ.

Leia a íntegra desta reportagem (em inglês) no site BBC Future.

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