1000 dias sem Marielle: 81 políticos eleitos em 2020 se comprometeram com Agenda Marielle Franco

Anita Efraim
·3 minuto de leitura
A projection on a building honouring slain councilwoman Marielle Franco reads "Justice for Marielle," in Botafogo neighbourhood in Rio de Janeiro, Brazil, on August 8, 2020. - Franco, a popular leftist city councillor in Rio de Janeiro, was gunned down alongside her driver in March 2018 -- a drive-by shooting that investigators described as a "summary execution." (Photo by Mauro PIMENTEL / AFP) (Photo by MAURO PIMENTEL/AFP via Getty Images)
Projeção no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, pede Justiça por Marielle (Foto: Mauro Pimentel/AFP via Getty Images)

Nesta terça-feira, 8 de dezembro, completam-se 1000 dias desde o assassinato de Marielle Franco e de Anderson Gomes, que trabalhava como motorista da vereadora. Eleita em 2016, Marielle teve a oportunidade de cumprir pouco mais de um ano de sua legislatura, quando foi perseguida e morte no Rio de Janeiro.

Na primeira eleição municipal após a morte da vereadora, o Instituto Marielle Franco, criado pela família, criou a Agenda Marielle Franco, com o objetivo de fomentar o legado da vereadora. A iniciativa estava aberta para qualquer candidato assinar e se comprometer.

Ao todo, foram 81 candidatos comprometidos eleitos em 54 cidades do Brasil. Para Anielle Franco, diretora executiva do Instituto e irmã de Marielle, não é possível definir o legado de Marielle em apenas um ponto. “Podemos dizer que a inspiração para que mulheres negras, LGBT e periféricas sigam movendo as estruturas desiguais do país é um importante legado”, afirma.

Segundo Anielle, a Agenda foi criada porque eles sabiam que, em 2020, muitas candidaturas surgiram inspiradas nas ações de Marielle Franco. “Queríamos que as candidaturas não apenas falassem em Marielle, mas também se comprometessem com as suas pautas e práticas. Para sairmos do ‘Discurso Marielle’ para a ‘Prática Marielle’”, coloca.

A Agenda tem sete pontos com os quais os políticos deveriam se comprometer ao se tornarem signatários: priorizar a diversidade e a representatividade ao formar equipes; ampliar alianças com terceiro setor e instituições públicas para aumentar o acesso da população aos direitos básicos; honrar e resgatar a memória dos que vieram antes; coletivizar a política; potencializar os que ainda estão por vir; cuidar da equipe envolvida no mandato; criar mecanismos de transparência para que a população possa acompanhar os processos políticos.

Leia também

Marielle era filiado ao PSOL, mas o compromisso com esses pontos não se restringiu a pessoas da mesma legenda. Há políticos também do PT, PCdoB, Cidadania e Progressistas. A maior parte dos comprometidos com a Agenda é de vereadores eleitos, mas há também Edmilson (PSOL), prefeito eleito de Belém.

Outros nomes conhecidos que aparecem na Agenda são Eduardo Suplicy (PT), vereador mais votado em São Paulo, Erika Hilton (PSOL), mulher mais votada na capital paulista, e Duda Salabert (PDT), vereadora mais votada em Belo Horizonte. Há ainda várias candidaturas coletivas em todo o país comprometidas com as pautas relacionadas à atuação de Marielle.

Anielle Franco ressalta a importância da diversidade na lista de assinaturas. “Entendemos que no caminho por um mundo mais justo precisamos que toda a sociedade se comprometa em agir, não só as pessoas que vivem as opressões e violências do sistema. Entendemos também que as pautas de Marielle são bem explícitas com relação a visão de mundo que ela tem. Se as candidatas estavam assinando embaixo confiamos (e a sociedade poderá cobrar) que sigam defendendo essas pautas).”

Apesar de Marielle ser vereadora pela cidade do Rio de Janeiro, alguns dos principais nomes eleitos do PSOL na cidade não se comprometeram com a Agenda, como Tarcísio Motta, Chico Alencar e Monica Benício, viúva da vereadora. Na cidade, assinaram o documento Thais Ferreira (PSOL), William Siri (PSOL) e Tainá de Pauta (PT).

RESPONSÁVEIS PELO CRIME

Marielle Franco e Anderson Gomes foram assassinados em 14 de março de 2018, no centro do rio de Janeiro. Élcio Vieira de Queiroz e Ronnie Lessa foram presos, acusados de executar a vereadora e o motorista naquela noite. Os dois devem ser levados à júri popular, mas o julgamento ainda não tem data marcada.

O sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa é apontado como sendo o responsável pelos disparos de submetralhadora que mataram Marielle e Anderson. Já o ex-PM Élcio Queiroz seria o motorista do carro.

Até o momento, não se sabe quem ordenou o assassinato.