De 12 cidades da Região Metropolitana, só três definiram prazos sobre retorno das aulas presenciais

Pedro Zuazo
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Gabriel de Paiva / Agência O Globo

RIO - Assim como a capital, a maioria dos municípios do Grande Rio ainda não bateu o martelo sobre o retorno das aulas presenciaisem razão da pandemia do novo coronavírus. Das 12 prefeituras consultadas pelo GLOBO, apenas três cidades da Baixada Fluminense — Belford Roxo, Magé e Guapimirim — responderam que o ano letivo começa em fevereiro e que as aulas iniciam, efetivamente, em março, mas de forma semipresencial. No Rio, o secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, diz que o desafio é o retorno de forma segura (leia a entrevista abaixo).

Em Niterói, a retomada das atividades presenciais está sendo avaliada pelo gabinete de crise. O ano letivo da rede municipal começa em março.

Já São Gonçalo vai seguir o calendário da capital: o ano letivo começa no dia 8 de fevereiro. O retorno das aulas, no entanto, será feito de forma remota. “No momento, não há como atender todos os estudantes em plataformas digitais por conta da dificuldade de acesso nas redes de internet em algumas localidades do município. Mas com o cumprimento da carga horária de forma remota, serão garantidas as 800 horas previstas em lei para o ano letivo”, diz, em nota, a Secretaria municipal de Educação de São Gonçalo.

Em Duque de Caxias, o ano letivo também começa em fevereiro, mas o retorno presencial só se dará quando houver “autorização dos órgãos competentes”. O mesmo acontece em São João de Meriti. Em Mesquita, o ano letivo começa em março, mas tampouco foi definido como serão as aulas.

Japeri informou que está fazendo uma reavaliação total da rede. O clima também é de indecisão em Nilópolis, que deve ter uma posição na semana que vem, a partir da reunião de uma comissão técnica.

A prefeitura de Nova Iguaçu esclareceu que o retorno das aulas presenciais só será planejado quando tiver início a imunização da população. Na cidade vizinha de Queimados, a prefeitura diz que a data de retorno ainda não foi definida. “O início da vacinação será um marco importante para qualquer retomada das atividades presenciais", e o “processo de ressocialização dos alunos precisará ser feito de forma gradativa”, afirmou em nota.

'Retomar aulas presencias é tema de muita urgência, diz Ferreirinha

Na capital, as escolas municipais foram as primeiras a fechar, no início da pandemia, e ainda não reabriram. O desafio do secretário municipal de Educação, Renan Ferreirinha, é reverter esse quadro de forma segura.

Quando as aulas presenciais serão retomadas?

Esse é um tema de muita urgência, que a gente precisa tratar com prioridade e com uma discussão racional. Serão levados em consideração quatro aspectos principais: o educacional, pois nossas crianças foram muito impactadas pelo déficit de aprendizagem; o sanitário, que exige um protocolo seguro; o da alimentação escolar; e o aspecto socioemocional.

Qual foi o desempenho do ensino remoto em 2020?

Foi nos passado que em torno de 12% dos alunos (cerca de 77 mil) não tiveram atividade alguma após o fechamento das escolas. Esse número pode ser maior, porque entre os 88% de alunos que acessaram estão incluídos aqueles que só conseguiram se logar no sistema, mas tiveram problemas para acompanhar as aulas. Em 2021, vamos acompanhar isso com maior profundidade.

A secretaria vai continuar apostando no ensino remoto?

O ensino remoto vai ser crucial para 2021. O plano que queremos apresentar será de retorno gradativo, de acordo com as condições de cada unidade. Pode ser que, no início, umas escolas voltem, outras não. Por isso, o ensino remoto vai ser importante.

Como está a situação das escolas municipais?

Estamos fazendo um levantamento da infraestrutura de cada uma das nossas 1.543 unidades. Há problema no telhado? Tem janelas nas salas de aula? Tudo isso faz parte do levantamento para definir o plano de volta às aulas.

Em que etapa está o plano?

O plano está sendo construído a várias mãos, porque envolve outras situações para além da educação. Estamos construindo junto com a Secretaria municipal de Saúde o protocolo sanitário e um plano de contingência integrado, que talvez seja validado em meados de janeiro pelo Comitê Especial de Enfrentamento à Covid-19. Enquanto isso, tenho conversado com a comunidade escolar.

Como avalia a carta do Unicef?

O Unicef faz um questionamento pertinente: que tipo de sociedade é essa, que não prioriza a educação? Não estou dizendo, com isso, que as aulas têm que voltar no dia X ou Y, mas nós temos que encarar esse debate.