13 dias de Lázaro não são nada: irmãos necrófilos fugiram durante 4 anos na década de 90

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Foto: A Voz Da Serra/Fundação D. João VI
Foto: A Voz Da Serra/Fundação D. João VI
  • Assim como o “Serial Killer do DF”, dupla era especialista em se esconder na mata

  • Irmãos deixaram um rastro de terror e oito pessoas mortas

  • Ficaram conhecidos por violar os corpos de suas vítimas

A caçada por Lázaro Barbosa Sousa, 32 anos, acusado de assassinar quatro pessoas de uma mesma família, já leva 13 dias. Se deslocando pela mata na região do município de Cocalzinho, ele tem se escondido da polícia e sua busca já mobiliza mais de 240 agentes de segurança pública.

O caso trouxe à tona histórias de outros “serial killers” brasileiros. Entre eles, estão os irmãos necrófilos, Ibraim e Henrique de Oliveira, que aterrorizaram a região de Nova Friburgo, município do Rio de Janeiro, entre 1991 e 1995. Eles mataram oito pessoas de forma violenta e praticaram necrofilia com os corpos.

Durante os quatro anos em que atuaram, eles viveram se deslocando por uma área de 300 mil metros quadrados de Mata Atlântica entre os municípios de Sumidouro, Riograndina e Nova Friburgo. O conhecimento da dupla sobre a região e sua habilidade para se deslocar no ambiente e desaparecer lembra muito a fuga de Lázaro, que também se utiliza da mata para se esconder.

Os irmãos necrófilos geraram tamanho terror na região que, de acordo com o jornal A Voz da Serra, cerca de 70% das famílias que moravam na zona rural deixaram suas casas com medo de se tornarem vítimas.

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Os crimes dos irmãos necrófilos

De acordo com relatos de moradores antigos da região, recolhidos pelo portal Vice, os irmãos nasceram em uma família muito pobre, comandada pelo pai alcóolatra, Brás de Oliveira, que batia na mulher, Maria Luiza, e nos filhos. Não era raro também que o pai obrigasse os irmãos a passarem dias na mata sem mantimentos.

Foto: A Voz Da Serra/Fundação D. João VI
Foto: A Voz Da Serra/Fundação D. João VI

Ibraim era o primogênito, seguido de Henrique e mais dois irmãos caçulas, Jailton e Márcia de Oliveira. A família jamais conheceu outra região que não a área rural em que viviam. Além disso, as crianças eram analfabetas.

Assim como ocorre com Lázaro, os relatos das ações de Ibraim e Henrique beiram o sobrenatural, o que aumentava o medo da população, que os via como selvagens e brutais. O primogênito, no entanto, já dava sinais de violência desde a infância, e há relatos que ele matava animais e fazia sexo com as carcaças.

O primeiro assassinato ocorreu em 1991 em Riograndina. A vítima foi Eliana Macedo Xavier, de 21 anos, que ficou desaparecida por uma semana até que seu corpo fosse encontrado no meio da mata no dia 15 de fevereiro. A jovem foi estrangulada com um fio de arame e seu corpo foi violado após a morte. Ao seu lado foi deixada uma certidão de nascimento desgastada, um crucifixo de madeira preta, uma carteira de veludo preta e sua calcinha rasgada.

Sete meses depois, o corpo de uma criança de 11 anos, Norma Claudia de Araújo, foi encontrado nas mesmas condições que Eliana. A menina também havia sido estrangulada com um arame. Esse crime levou à prisão de Ibraim, que confessou o assassinato, mas disse haver agido sem o irmão. Como tinha 16 anos, foi julgado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente e ficou internado no Instituto Padre Rafael na Ilha do Governador até completar 18 anos.

As mortes recomeçaram nem cinco meses após a volta de Ibraim. Os ataques dos irmãos seguia um padrão: mulheres negras, quase sempre na parte da tarde, em regiões afastadas e próximas à mata. Usavam arame e foices e tinham o cuidado de não ferir o corpo das vítimas, que eram violados após o assassinato. Além disso, eles tinham o costume de levar “troféus” das vítimas, como calcinhas.

Em 27 de fevereiro de 1995, eles atacaram um casal, Elizete Ferreira Lima e seu marido João Carlos Maria da Rocha, que tomavam banho em uma das cachoeiras de Janela das Andorinhas. Ambos foram assassinados e os corpos foram estuprados após a morte.

Foto: A Voz Da Serra/Fundação D. João VI
Foto: A Voz Da Serra/Fundação D. João VI

Entre os ataques, os irmãos desapareciam na mata, onde se alimentavam de frutas e dormiam em grutas na Janela das Andorinhas. Entre suas vítimas, está uma tia dos jovens, Vera Lúcia Damasceno. Ela morreu em 1º de abril de 1995, quando supostamente levava mantimentos para os sobrinhos.

A dupla era buscada pelo 11º Batalhão da Polícia Militar de Nova Friburgo. Os moradores da região, no entanto, estavam insatisfeito com o andamento da perseguição e começaram a tomar medidas individuais, como se armar.

Dentre as dificuldades enfrentadas pelos agentes, estava a falta de preparo e equipamento adequado para a busca nas matas, questão que já não ocorre na caçada a Lázaro hoje, que conta com drones, cachorros e policiais treinados. Mesmo com quase todo Batalhão mobilizado, os irmãos conseguiam desaparecer entre a vegetação e só eram avistados quando invadiam chácaras para pegar suprimentos – prática que Lázaro também adota.

Em 1995, os irmãos deixaram mais duas vítimas: em 17 de maio, assassinaram a lavradora Odete de Carvalho, de 56 anos, em sua casa. Em julho, mataram Iria Moraes Ornellas, de 67 anos, na cozinha de sua casa.

Em vista da tragédia que se espalhava, um efetivo do Batalhão de Operações Especiais foi enviado para auxiliar na caça aos irmãos. Por conta da repercussão nacional dos crimes, mais 200 policiais do BOPE foram enviados a Nova Friburgo com cães farejadores.

As últimas vítimas foram Maria Dorcileia Faltz, de 39 anos, que estava grávida, e seu filho, Adriano Faltz Gomes, de 9 anos. No momento em que atacavam a mulher, foram surpreendidos pela criança, que foi coberta de pauladas. Ele resistiu apenas para falecer no hospital no dia seguinte.

Ibraim foi morto, aos 19 anos, por um subcomandante do Bope após invadir um sítio em Riograndina no dia 16 de dezembro de 1995. Henrique ficou desaparecido até se entregar no dia 17 de junho de 1996, por medo de ser morto pelos moradores.

Henrique foi julgado em 1º de setembro de 2000 pela morte do vigia João Carlos e atentado violento ao pudor de Elizete. Ele se declarou inocente de todas as acusações, afirmando que apenas acompanhava o irmão. Mesmo sem poder ser julgado por outros crimes, por falta de provas, ele foi condenado a 34 anos de prisão.

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