13 dicas de terapeutas sobre como eles estão lidando com a pandemia

Thamires Andrade
·7 minuto de leitura
Todo mundo se cuidando do jeito que pode (Foto: getty images)
Todo mundo se cuidando do jeito que pode (Foto: getty images)

Na última semana, completamos um ano desde que a pandemia do coronavírus chegou ao Brasil. As restrições e medidas de segurança que, a princípio, iriam durar apenas alguns dias/meses, completaram 365 dias e o cenário em grande parte das cidades brasileiras segue alarmante, com medidas de lockdown, falta de leitos em UTIs e até cilindros de oxigênio em hospitais.

Após um ano vivendo em uma pandemia, a saúde mental da população tem oscilado por conta do isolamento, medo, ansiedade e etc. E o mesmo vale para os terapeutas e psicólogos. Há mais de um ano, eles estão ouvindo e apoiando os pacientes a passarem por esse período, além de lidar com a própria mudança de rotina.

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Por isso, ouvimos alguns especialistas para entender o que eles estão fazendo para lidar melhor com a pandemia:

Estabelecer uma nova rotina em meio ao caos

Desde o início da pandemia, Marina Vasconcellos, psicóloga, psicodramatista e terapeuta familiar, colocou o objetivo de ter mais disciplina para as atividades do dia a dia e criar uma nova rotina.

Ela manteve o ritmo de acordar cedo, meditar por 15 minutos e depois praticar atividade física antes de iniciar seus atendimentos que passaram a ser online por conta da pandemia. “Eu achava e ainda acho que manter uma rotina todos os dias traz impactos positivos. Faço exercício todos os dias e voltei a correr sozinha. Como não pode mais praticar esportes em grupo, procuro parques e lugares arborizados que eu possa correr sozinha e ter contato com a natureza”, fala.

Caprichar na “higiene do sono”

As atividades e hábitos diários, especialmente antes de dormir, impactam na qualidade do seu sono, podendo ajudar a ter uma noite de sono reparadora ou até episódios de insônia. Por isso, adotar a higiene do sono, que consiste em práticas e hábitos para melhorar a qualidade do sono, é o que fez a diferença para Thais Gigek, psicóloga e psicanalista atuante na atenção básica a saúde do SUS.

“Antes de ir dormir, tenho usado óleos essenciais e diminuído um pouco do barulho da casa, para ir ficando mais calma. Também desligo celular e televisão um tempo antes de deitar e tenho sempre lido um livro antes de dormir. Isso me ajudou a dormir bem mesmo durante esse período e não ter problemas de sono”, conta.

Incluir atividade física na rotina

Para muitas pessoas, o isolamento social e o home office trouxe mais tempo livre, já que passou a não ser necessário se deslocar todo dia para ir e voltar do trabalho. Foi o caso da psicóloga Carla Guth que, com o tempo livre, incluiu a atividade física todo o dia em sua rotina.

“Como parei de me deslocar de carro, consegui encontrar mais tempo para as atividades. Também me fez muito bem começar a fazer alongamentos, me ajudou a me reconectar com meu corpo”, fala.

Aprender algo novo

Sabe aquela coisa que você sempre teve vontade de aprender, mas nunca fez por falta de tempo? Gabriela Malzyner, psicóloga e professora do curso de psicanálise do Centro de Estudos Psicanalíticos, em São Paulo, aproveitou para aprender a tocar violão –“desejo antigo que eu tinha”-, além de cozinhar.

“Aprendi a fazer pizza, doces e pão. Toda sexta-feira, faço “hallat”, que é o pão típico do shabbat, porque eu sou judia. Hoje é um passatempo que tenho com minhas filhas”, fala.

Adotar um pet

Um outro recurso que Thais Gigek encontrou para lidar com a pandemia foi adotar uma cachorrinha, a Pagu. “Adotar um pet foi algo bem importante porque me fez lembrar que a vida tem outras coisas e não é só o caos da pandemia. É muito prazeroso poder passear com ela, cuidar, acompanhar o crescimento dela e isso me lembra o ciclo da vida e da morte”, diz.

Além disso, a psicóloga também tem aproveitado para estar mais presente nas tarefas do dia a dia. “Quando chego em casa do trabalho e vou passear com a Pagu, garanto que estou 100% entregue a esse momento”, fala.

Ler menos notícias sobre a pandemia

O excesso de informação muitas vezes pode aumentar a ansiedade e alguns sentimentos ruins, por isso, Amanda Viotti Bandarra, psicóloga e psicanalista, começou a diminuir a quantidade de conteúdo que consumia sobre o tema.

“No início, lia e via muitas notícias, mas era complicado porque cada um falava uma coisa. Via uma notícia boa e depois já vinha outra ruim. Sempre buscava informação com a esperança de que isso ia acabar e sigo acreditando nisso. Mas comecei a ver menos notícias, apenas uma coisa e outra, que seja o suficiente para não estar alienada”, fala.

Retomar hábitos antigos

Para Vinícius Sales Sampaio Lopes, psicólogo e psicanalista, após um ano em casa e com tantas renúncias e limites que foram colocados, o caminho foi tentar descobrir aos poucos como se adaptar a essa nova realidade. Uma das formas que ele encontrou foi retomar hábitos antigos, como jogar xadrez.

“Foi uma atividade que acabou ficando para trás na minha vida e agora na pandemia eu voltei a jogar. O xadrez é um jogo que gostava muito na infância e que segue me estimulando a pensar e raciocinar”, diz.

Ficar mais longe do celular

Como o trabalho de Lara Herrera, psicóloga e psicanalista, tem ficado totalmente restrito às telas, ela aproveita as horas livres e, sobretudo os finais de semana, para se desconectar um pouco do celular.

“Vejo filmes e séries com temáticas leves, leio e também aproveito para escrever, pois a escrita, para mim, tem um aspecto que me ajuda a elaborar tudo que estou passando. Também adoro aproveitar e cuidar das minhas plantas. Ter essa rotina tem sido muito importante para dar conta de toda angústia que estamos vivendo”, afirma.

Repaginar e colocar ordem na casa

Ao ficar muito tempo em casa, Carla Guth tratou de arrumar os assuntos pendentes onde morava. “Fiz algumas mudanças para melhorar a circulação dos ambientes, cuidei das plantas e também desapeguei do que não fazia mais sentido ou não usava mais. Também mudei móveis e objetos de lugar para que o espaço tudo ficasse mais funcional e gostoso”, fala.

Teletransporte por meio da leitura

Os livros viraram uma ótima forma de fugir dos excessos de telas e ajudar a se teletransportar para outros lugares do mundo e realidades durante a pandemia.

“Sempre gostei muito de ler e lia muito na adolescência, mas foi um hábito que começou a diminuir por conta do trabalho. Agora, entrei em um clube de livro e tenho me organizado para ler sempre um pouco”, conta Viotti Bandarra.

“A leitura tem me feito muito bem, pois traz mais repertórios de história e de vida também, ajuda a inflar nosso imaginário que está muito restrito ao tempo e espaço por conta da pandemia”, concorda Thais Gigek.

Playlist para animar

Uma outra forma de transformar as atividades diárias, como cuidados da casa e cozinhar, para Carla Guth foi criar a rotina de ouvir música. “É uma coisa simples, mas que me traz muita tranquilidade, além de me trazer uma reconexão com músicas que gosto muito e há muito tempo não ouvia”, fala.

Filmes e séries

Outra forma de distração é aproveitar os serviços de streaming para mergulhar em novos filmes e séries. “As plataformas de streaming me ajudam a sair um pouco de casa e viajar para outros lugares sem sair de casa. Além de me ajuda a desconectar um pouco da realidade. Aproveitei esse período para também separar os filmes que nunca vi. Acabei encontrando uma paixão pelo cinema, porque sempre tive admiração, mas nunca tinha ido mais além. Agora na pandemia me vi com mais tempo de sobra para mergulhar nisso”, conta Vinícius Sales Sampaio Lopes.

Cuidado com a alimentação

Para evitar problemas de saúde e diminuir tensão e ansiedade, a alimentação tem um papel importante. Por isso, Marina Vasconcellos seguiu com os cuidados alimentares que já mantinha anteriormente. “Continuei comendo bem, pouca coisa processada. Passo no sacolão e comecei a fazer pão em casa, muita coisa mais saudável porque alimentação faz toda diferença. Para mim, exercício e alimentação são muito importantes para evitar problemas de saúde”, fala.