Tribunal dinamarquês mantém extradição para filha da "Rasputina" sul-coreana

Copenhague, 19 abr (EFE).- Um tribunal de Aalborg (noroeste da Dinamarca) manteve nesta quarta-feira a ordem de extradição à Coreia do Sul da filha de Choi Soon-sil, a "Rasputina sul-coreana", protagonista do escândalo de corrupção que causou a destituição há um mês da presidente do país, Park Geun-hye.

A promotoria dinamarquesa tinha aprovado em 17 de março a extradição de Chung Yoo-ra, detida em Aalborg em 1 de janeiro e contra quem pesava uma ordem de detenção internacional emitida por Seul por suposta participação em uma trama de corrupção, embora a defesa da jovem tenha paralisado o processo por levar a decisão aos tribunais.

"As condições para a extradição se cumprem", afirmou o juiz, Ole Høyer, ao ditar uma sentença na qual rejeitou que houvesse motivações políticas por trás da reivindicação das autoridades sul-coreanas, embora o advogado de Chung Yoo-ra tenha recorrido imediatamente à seguinte instância.

Seul acusa a jovem, de 20 anos, de corrupção e de ter recebido tratamento preferencial na universidade e no bacharelado - cujo título foi retirado por considerar que suas qualificações e registos de assistência foram falsificados - pelos laços de sua mãe com a ex-presidenta.

Park Geun-hye, que perdeu a imunidade presidencial após ser destituída em 10 de março e cumpre prisão preventiva há três semanas, foi acusada formalmente há dois dias de abuso de poder, coerção, vazamento de segredos oficiais e suborno.

As autoridades sul-coreanas acusam a ex-presidenta, que nega tudo, de fazer parte da rede criada com sua amiga Choi Soon-sil, que supostamente extorquiu de grandes empresas cerca de US$ 70 milhões.

Seul acredita que o grupo Samsung, o maior da Coreia do Sul, assinou um contrato de cerca de 22 bilhões de wones (17,3 milhões de euros) com uma empresa com sede em Alemanha propriedade de Choi e deu, além disso, apoio financeiro para que Chung, que se dedica ao hipismo, treinasse no país teutão e adquirisse cavalos.

Chung, que justificou sua estadia na Dinamarca por suas ocupações relacionadas com o hipismo, rejeitou as acusações, embora tenha admitido ter assinado papéis apresentados por sua mãe várias vezes. EFE

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