2º assessor de Damares é acusado de ataques à democracia

Responsável por bomba e articulador de acampamento golpista trabalharam na pasta chefiada pela senadora eleita

Um foragido por caso de bomba em Brasília e um preso por organizar acampamento golpista tiveram cargos no Ministério da Mulher, da Família e do Direitos Humanos durante a gestão de Damares Alves. (Valter Campanato/Agencia Brasil vía AP, Archivo)
Um foragido por caso de bomba em Brasília e um preso por organizar acampamento golpista tiveram cargos no Ministério da Mulher, da Família e do Direitos Humanos durante a gestão de Damares Alves. (Valter Campanato/Agencia Brasil vía AP, Archivo)
  • Depois de acusado por bomba, ministério chefiado por Damares também empregou homem apontado como responsável por levantar recursos para acampamento golpista;

  • Renan Sena teve cargo no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante a gestão da agora senadora eleita;

  • Pasta também abrigou Wellington Macedo, acusado de plantar bomba na capital federal que está foragido da Justiça.

A operação Lesa Pátria, deflagrada nesta sexta-feira (20) pela Polícia Federal, prendeu o bolsonarista Renan Silva Sena. Ele é apontado como um dos responsáveis por auxiliar na captação de recursos para financiar o acampamento golpista no Quartel-General do Exército, em Brasília (DF). No momento da prisão, ele estava com R$ 22 mil em espécie.

Ele foi funcionário terceirizado do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos durante a gestão da agora senadora eleita Damares Alves (Republicanos-DF). Com isso, a pasta dela já abrigou o segundo extremista acusado de atentar contra o Estado Democrático de Direito.

Apontado como um dos responsáveis por plantar uma bomba para explodir o aeroporto da capital federal, o jornalista Wellington Macedo de Souza também teve cargo no ministério. Atualmente, ele está foragido.

Cuspiu em enfermeiras

Preso nesta quinta, Renan Sena agrediu e cuspiu enfermeiras que homenageavam profissionais da saúde mortos por Covid-19 em 2002, na Praça dos Três Poderes. Depois disso, ele foi apontado como um dos autores do prédio do Superior Tribunal Federal (STF) naquele ano, com fogos de artifício e chegou a ser detino por ameaçar autoridades.

No Ministério dos Direitos Humanos, ele foi analista de projetos do setor socioeducativo.

Plantou bomba

Já o jornalista Wellington Macedo de Souza, outro ex-funcinário do ministério de Damares, é apontado como o terceiro responsável por plantar uma bomba em um caminhão na véspera do último Natal. Outros dois envolvidos no caso já foram presos.

Macedo foi assessor da Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente em 2019. Em 2021, ele foi preso pela PF por articular atos violentos para o 7 de setembro daquele ano, e estava em prisão domiciliar desde então, com uso de tornozeleira eletrônica. Depois da bomba, ele arrancou o dispositivo e fugiu.

Quando a imprensa noticiou a relação de Macedo com o ministério de Damares, a senadora eleita se pronunciou nas redes sociais confirmando que ele tinha cargo, mas negando relação direta com ele.