2 - 'Sem apoio não teria aguentado', diz Sabrina Parlatore sobre o câncer

EVERTON LOPES BATISTA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O apoio emocional de família, amigos e profissionais da saúde envolvidos no tratamento do câncer é fundamental para a recuperação do paciente.

A conclusão é dos participantes de um debate no último dia do Fórum "A Jornada do Paciente com Câncer", promovido pela Folha de S.Paulo e patrocinado pelo laboratório Bristol-Myers Squibb. O evento é realizado no teatro do Unibes Cultural, em São Paulo.

"Se eu não tivesse o apoio das pessoas ao meu lado eu não teria aguentado", disse Sabrina Parlatore, apresentadora de TV que foi diagnosticada com câncer de mama em 2015.

Hoje, ela compartilha sua história com outras mulheres em suas redes sociais. No tratamento, Parlatore precisou enfrentar sessões de quimioterapia e radioterapia. "Não foi brincadeira, mas a onda positiva de energia que recebi me ajudou muito", relembrou.

Apesar do sofrimento, Parlatore afirma que a experiência a impactou positivamente de alguma maneira. "Me sinto transformada e melhor", disse. "Depois dessa experiência eu não quero viver mais ou menos".

Jou Eel Jia, médico e representante da Academia de Medicina Chinesa no Brasil, reafirmou a importância de compartilhar a experiência, como é o caso da apresentadora de TV. "O câncer faz o paciente passar por uma série de processos que não afetam só a ele, mas a todos envolvidos no cuidado também", afirmou.

Jia disse acreditar ainda que elementos como felicidade e estresse interferem no processo de adoecimento e cura.

Carlos Alberto Sacomani, urologista responsável pelo Ambulatório de Disfunções Miccionais e Urodinâmica do Departamento de Urologia do A.C.Camargo Cancer Center, lembrou que ainda não existem estudos conclusivos que relacionem o bom estado psicológico do paciente com a sua melhora mais efetiva.

No entanto, acrescentou ele, pacientes com bom acompanhamento psicológico se dedicam mais ao tratamento e têm condições melhores de enfrentar as fases mais difíceis da terapia.

Por mais que a questão da interferência das emoções no tratamento seja controversa entre os médicos, ela precisa ser discutida, ponderou Parlatore.

QUALIDADE DE VIDA

A busca por qualidade de vida em todos os momentos do processo traz benefícios, como o aumento da taxa de sucesso da terapia, segundo os debatedores.

"Com melhor qualidade de vida, o paciente percebe que não precisa parar de fazer o que gosta para se dedicar apenas ao tratamento. Ele interage com outras pessoas e vê que, embora seja um momento difícil, há uma luz no fim do túnel", disse Sacomani.

Uma abordagem multidisciplinar no tratamento também pode ajudar a levar o bem-estar ao paciente, segundo os participantes do debate.

O paciente interage com fatores biológicos, psicológicos e sociais e eles não podem ser dissociados, de acordo com Sacomani.

"O câncer tem causa multifatorial. Na tentativa de curar a doença, o médico também deve pensar de maneira multifatorial", afirmou ele.

"Não é mais suficiente falar somente em cura do câncer. O médico tem que prestar atenção na qualidade de vida do paciente –considerar o antes e o depois do tratamento. Não posso deixar de pensar, por exemplo, na incontinência urinária enquanto faço uma operação de próstata", concluiu.